Vereador vinha criticando a prefeita, mas ausência acabou favorecendo o Executivo
A nota de esclarecimento divulgada pelo vereador Fábio Rocha após sua ausência na votação do veto da prefeita Adriane Lopes não encerrou o assunto, pelo contrário, ampliou o debate político nos bastidores da Câmara. No comunicado, Fábio Rocha afirma:
“Ao longo de todo o meu mandato, sempre votei pensando no melhor para a população, sem nunca me omitir ou recuar das minhas responsabilidades.
Desde o final do ano passado, porém, enfrentei um problema de saúde que exigiu cirurgia de urgência para retirada de um cisto, conforme atestado médico, o que me afastou temporariamente das atividades presenciais.
Por essa razão, não participei das sessões da Câmara desde a sessão inaugural, seguindo orientação médica.
Já estou em recuperação e devo retornar em breve às atividades, com o mesmo compromisso e responsabilidade de sempre.
Deste modo, agradeço a compreensão, o apoio e sigo à disposição da população!”
A justificativa é legítima. Há atestado. Há recomendação médica. E isso precisa ser respeitado. Mas politicamente, a ausência não pegou bem.
A votação mais importante do mandato
A manutenção ou derrubada do veto ao decreto da taxa do lixo pode ser considerada, até aqui, a votação mais importante desde o início da atual legislatura, em janeiro de 2025. Por tudo que aconteceu.
O placar foi apertado:
14 votos pela derrubada,
8 pela manutenção,
6 ausências.
Para derrubar o veto, eram necessários 15 votos. A Prefeitura venceu por apenas um voto. E é exatamente nesse ponto que a ausência de Fábio Rocha passou a ser questionada.
Era possível votar mesmo sem estar no plenário?
Durante a mesma sessão, a vereadora Ana Portella (PL) informou que não poderia estar presente fisicamente por conta de um problema familiar envolvendo a saúde de sua mãe. Mesmo assim, não se ausentou da votação. Seu voto foi registrado.
Na Câmara, existe a possibilidade de registro de voto mesmo sem presença física em plenário, desde que dentro das regras regimentais. Isso levou à pergunta inevitável nos bastidores:
Se havia possibilidade de participação remota, ainda que o vereador estivesse em repouso, seria inviável acompanhar a sessão e declarar “sim” ou “não”?
O peso político da ausência
Fábio Rocha vinha, no final do ano passado, adotando postura crítica em relação à gestão Adriane Lopes. Publicou vídeos, fez posicionamentos e demonstrou alinhamento com discursos contrários ao Executivo.
Por isso, sua ausência em uma votação que, na prática, acabou beneficiando a prefeita, gerou ruído. Mesmo com atestado, o que torna a justificativa formalmente válida, o gesto político é o que está sendo analisado.
Em política, especialmente em votações decididas por margem mínima, a ausência também é um posicionamento.
Questionamentos legítimos
Não se trata de desconsiderar um problema de saúde. Isso seria irresponsável. Mas também é legítimo que eleitores e observadores perguntem:
Era possível votar mesmo em repouso?
A ausência foi inevitável ou foi uma escolha?
O vereador subestimou o peso político da votação?
O fato concreto é que a manutenção do veto se deu por apenas um voto. E, nesse cenário, cada ausência ganha dimensão política.
A nota publicada por Fábio Rocha explica o motivo médico. Mas, no ambiente político, a explicação não encerra o debate.