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Flávio Bolsonaro concede primeira entrevista após exílio e revela detalhes de sua saída do Brasil

Senador fala pela primeira vez desde que deixou o Brasil, nega ajuda de governos estrangeiros e diz que jamais revelará como chegou a Miami.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) quebrou o silêncio sobre seu exílio nos Estados Unidos. Em entrevista publicada nesta quinta-feira (5) pelo The New York Times, um dos jornais mais influentes do mundo, o parlamentar falou sobre sua saída do Brasil, o temor de ser preso e os acontecimentos que se seguiram à derrota na eleição presidencial de outubro.

Foi a primeira entrevista concedida por Flávio desde que deixou o território brasileiro.

Uma das declarações que mais chamaram atenção foi a decisão do senador de manter em segredo os detalhes de sua chegada aos Estados Unidos.

“Como cheguei aqui, levarei isso para o túmulo comigo”, afirmou.

A frase surge em meio às especulações sobre uma possível participação de autoridades estrangeiras no deslocamento do parlamentar.

Flávio nega ajuda de governos estrangeiros

Durante a conversa com o jornal americano, o senador negou ter recebido qualquer auxílio oficial para deixar o Brasil.

“Foi tudo eu. Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”, declarou.

Segundo Flávio, a decisão foi tomada por ele e pela esposa. O parlamentar reconheceu possuir amigos em outros países, mas negou que tenha existido uma operação organizada por governos estrangeiros.

“Pode ter havido torcida, mas nada mais”, acrescentou.

A declaração contrasta com relatos que circularam anteriormente entre aliados sobre uma possível articulação internacional para viabilizar sua saída.

Apesar da negativa, Flávio não explicou qual foi o trajeto utilizado para chegar a Miami.

O pedido do passaporte após a eleição

O exílio ocorreu depois de uma sequência de acontecimentos envolvendo a Polícia Federal.

Conforme apuração já publicada pelo O Contribuinte, a PF solicitou o passaporte de Flávio Bolsonaro apenas sete minutos após o Tribunal Superior Eleitoral declarar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No dia seguinte, após visitar seu pai, Jair Bolsonaro, que cumpria prisão domiciliar, Flávio foi abordado por agentes da Polícia Federal e informado de que teria 24 horas para entregar seus passaportes.

A proximidade entre a proclamação do resultado eleitoral e as medidas envolvendo os documentos do senador é um dos pontos centrais.

O temor de prisão

Na entrevista, Flávio também voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes e o Judiciário brasileiro.

O senador afirmou acreditar que, caso permanecesse no país, poderia terminar preso.

“Eu já sei que o resultado final será a minha prisão”, declarou.

Flávio considera que as medidas judiciais contra sua família possuem motivação política.

Essa é a interpretação apresentada pelo senador, que não equivale, por si só, a uma comprovação de perseguição judicial.

A repercussão internacional

A entrevista ao The New York Times leva a versão de Flávio sobre os acontecimentos a um público internacional.

O parlamentar também falou sobre a derrota para Lula, questionou o processo eleitoral e afirmou que voltaria a disputar a Presidência caso novas eleições fossem realizadas.

Mesmo depois de responder a diversas perguntas, uma questão permanece sem esclarecimento: como Flávio conseguiu chegar aos Estados Unidos?

O próprio senador afirma que pretende levar essa resposta para o túmulo.

Link da matéria do The New York Times abaixo:

https://www.nytimes.com/2026/11/05/world/americas/flavio-bolsonaro-florida-brazil.html?unlocked_article_code=1.OFE._KQK.nF2JZaP_a364&smid=nytcore-ios-share