O senador Flávio Bolsonaro aproveitou o segundo bloco de sua sabatina no Jornal Nacional, da TV Globo, nesta sexta-feira (28), para anunciar um dos nomes que pretende levar para seu eventual governo caso seja eleito presidente da República: o médico Cláudio Luiz Lottenberg para o Ministério da Saúde.
A indicação foi apresentada enquanto Flávio respondia aos questionamentos dos jornalistas sobre a composição de sua futura equipe de governo. Em meio às respostas, o candidato decidiu antecipar quem seria o responsável por uma das principais e mais estratégicas áreas da administração federal.
Lottenberg é médico, mestre e doutor e possui mais de 35 anos de atuação na área da saúde. Seu principal cartão de visitas é a trajetória construída no Hospital Israelita Albert Einstein, uma das instituições hospitalares mais reconhecidas do Brasil e com projeção internacional.
O médico presidiu o Albert Einstein entre 2001 e 2016, período em que a instituição passou por um processo de expansão. Atualmente, Lottenberg ocupa a presidência do Conselho Deliberativo do hospital.
Além da atuação na medicina e na gestão hospitalar, ele também tem experiência na área pública de saúde e atualmente preside a Confederação Israelita do Brasil (CONIB).
Escolha técnica para uma das maiores pastas do governo
Ao apresentar Lottenberg, Flávio Bolsonaro buscou destacar justamente a experiência do médico na área da saúde e na administração de uma das principais instituições hospitalares do país.
A escolha representa uma aposta em um nome de perfil técnico para uma pasta que concentra um dos maiores orçamentos da União e que possui sob sua responsabilidade a coordenação nacional do Sistema Único de Saúde (SUS).
Politicamente, a indicação também carrega uma mensagem.
Ao invés de apresentar um nome diretamente ligado ao meio político ou ao núcleo tradicional do bolsonarismo, Flávio escolheu um profissional cuja trajetória está concentrada na medicina e na gestão.
A estratégia permite ao candidato apresentar ao eleitor uma imagem de eventual governo formado também por quadros técnicos e, ao mesmo tempo, sinalizar disposição para dialogar com setores que vão além de sua base mais fiel.
O eleitorado identificado com o bolsonarismo já é uma parcela importante do público que Flávio pretende conquistar. O desafio de uma candidatura presidencial, entretanto, está na ampliação dessa base, especialmente em direção ao centro.
Nesse sentido, a indicação de Lottenberg pode ser lida como um dos primeiros movimentos de Flávio para apresentar uma equipe capaz de dialogar com um eleitorado mais amplo.
Médico agradece indicação e fala em “espírito de serviço”
Após ser anunciado, Cláudio Lottenberg agradeceu a Flávio Bolsonaro pela indicação e afirmou que recebe a possibilidade de comandar o Ministério da Saúde com espírito de serviço.
Em sua manifestação, o médico ressaltou a experiência acumulada ao longo de mais de três décadas e destacou tanto os desafios enfrentados pelo sistema de saúde brasileiro quanto a importância do SUS.
“Recebo este convite feito pelo Senador Bolsonaro com gratidão e espírito de serviço. Dediquei mais de trinta e cinco anos à saúde, como médico e à frente da saúde pública de São Paulo, e conheço tanto o tamanho dos nossos desafios quanto a grandeza do SUS, uma das maiores conquistas deste país”, afirmou Lottenberg.
O médico também procurou afastar sua eventual atuação no governo de uma disputa puramente ideológica.
“Assumo esta missão sem espírito de disputa, com a convicção de que a saúde de um povo não pertence a um governo nem a um campo político, e sim às pessoas, sobretudo às que mais dependem dela”, declarou.
Lottenberg afirmou ainda que seu compromisso seria com a construção de um sistema “mais humano, mais eficiente e mais próximo de quem precisa”.
“Pretendo trabalhar com todos os que queiram somar. É a isso que me dediquei a vida inteira, e é para isso que estou pronto”, completou.
Quem é Lottenberg
A trajetória de Cláudio Lottenberg é marcada principalmente pela atuação na gestão hospitalar.
Ele comandou o Hospital Israelita Albert Einstein por 15 anos, entre 2001 e 2016, durante uma fase de crescimento e expansão da instituição. Após deixar a presidência executiva, permaneceu ligado à organização e atualmente preside seu Conselho Deliberativo.
A experiência acumulada no setor privado foi acompanhada por atuação na saúde pública de São Paulo, dando ao médico contato com diferentes realidades do sistema de saúde.
Além da carreira médica e administrativa, Lottenberg ocupa a presidência da Confederação Israelita do Brasil.
Caso Flávio Bolsonaro seja eleito e mantenha a indicação, o médico terá pela frente o desafio de levar sua experiência de gestão para uma estrutura de dimensão nacional, responsável pela coordenação de políticas públicas que atingem milhões de brasileiros.
A escolha anunciada no segundo bloco do Jornal Nacional, portanto, não serviu apenas para revelar quem Flávio pretende colocar no comando da Saúde. Também foi uma oportunidade para o candidato começar a apresentar, ao vivo e para uma audiência nacional, o perfil que pretende dar ao seu eventual governo.
Ao escolher um nome com forte trajetória na medicina e na gestão, mas sem uma carreira política tradicional, Flávio tenta mostrar que pretende colocar profissionais técnicos em áreas estratégicas e, ao mesmo tempo, ampliar sua interlocução para além do eleitorado que já está fechado com o bolsonarismo.