Ao lado do vice Alfredo Gaspar, presidenciável prometeu classificar PCC, Comando Vermelho e milícias como organizações terroristas e responsabilizou Lula pelas dificuldades econômicas enfrentadas pelas famílias.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) abriu oficialmente neste domingo (16) sua campanha à Presidência da República com um ato na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, local escolhido para marcar o início da tentativa do PL de retornar ao Palácio do Planalto.
No primeiro dia em que os candidatos estão autorizados a pedir votos explicitamente, Flávio subiu em um trio elétrico instalado na Avenida Atlântica e apresentou algumas das bandeiras que pretende explorar durante a campanha.
Segurança pública, combate às facções criminosas, economia e política externa estiveram entre os principais assuntos.
O candidato também fez referências ao pai, Jair Bolsonaro, criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e utilizou diversas vezes a mensagem escolhida para nortear sua campanha: “O Brasil vai vencer”.
O evento também marcou a estreia de Alfredo Gaspar (PL-AL) ao lado de Flávio depois de sua escolha para a Vice-Presidência.
Copacabana foi escolhida para a largada
A escolha de Copacabana não ocorreu por acaso.
O bairro foi palco de algumas das maiores manifestações realizadas em apoio a Jair Bolsonaro nos últimos anos e permanece como um dos locais de maior simbolismo para o movimento político construído em torno do ex-presidente.
A concentração estava marcada para as 10h, no Posto 5, na altura do número 3.092 da Avenida Atlântica, próximo à esquina com a Rua Bolívar.
A organização convocou apoiadores a comparecerem vestidos de verde e amarelo e utilizando camisas relacionadas a Bolsonaro.
Flávio subiu ao trio elétrico por volta das 11h30.
Alfredo Gaspar estreia ao lado de Flávio
O ato também serviu para apresentar publicamente a chapa presidencial em campanha.
Flávio esteve acompanhado do candidato a vice, Alfredo Gaspar, deputado federal por Alagoas, ex-promotor de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública.
Também participaram do ato o candidato do PL ao Governo do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, além de familiares do presidenciável, como sua mãe, Rogéria Bolsonaro, e sua esposa, Fernanda Bolsonaro.
A presença de Alfredo reforçou justamente um dos temas escolhidos para ganhar destaque na largada da campanha: segurança pública.
De colete à prova de balas, Flávio sobe ao trio
Flávio participou do evento utilizando um colete à prova de balas por baixo da camiseta.
No discurso, procurou também responder às inevitáveis comparações com Jair Bolsonaro.
“Sei que pareço com ele. Mas é difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé”, afirmou.
A declaração resume um dos desafios políticos que Flávio enfrentará durante a campanha.
Ao mesmo tempo em que precisa mobilizar o eleitorado construído pelo pai, terá de apresentar características próprias ao eleitorado e defender sua capacidade pessoal para governar o país.
Segurança pública ganha protagonismo
Um dos discursos mais fortes do primeiro ato foi direcionado à segurança pública.
Flávio afirmou que os brasileiros teriam perdido a própria “soberania” diante do avanço da criminalidade.
“Hoje não temos mais soberania sobre o nosso celular, não temos mais soberania sobre o nosso carro, não temos mais soberania sobre a sua bolsa. Você não tem mais soberania hoje sobre a sua casa, não tem soberania na sua rua, não tem soberania sobre a sua vida”, declarou.
A estratégia associa o conceito tradicional de soberania nacional à segurança cotidiana das famílias.
Flávio promete enquadrar facções como terroristas
O candidato também apresentou uma das propostas que pretende defender durante a eleição.
Segundo Flávio, um eventual governo comandado por ele buscará classificar organizações criminosas e milícias como terroristas.
“O Brasil vai vencer porque PCC, Comando Vermelho e milícias vão ser classificados como terroristas”, afirmou.
A proposta deverá ocupar espaço relevante na campanha, especialmente com Alfredo Gaspar na Vice-Presidência.
O alagoano construiu boa parte de sua carreira profissional no Ministério Público e na segurança pública, além de ter presidido grupo nacional voltado ao enfrentamento de organizações criminosas.
“Quem tem soberania no Complexo do Alemão?”
Flávio utilizou a realidade das comunidades do Rio para aprofundar as críticas à atuação do poder público.
“Eu te pergunto: quem tem soberania aqui no Complexo do Alemão? O governo ou o Comando Vermelho?”, questionou.
Na sequência, endureceu o discurso:
“Um governo que não tem a capacidade e não tem também a vontade de defender a soberania de quem mora aqui no Brasil não tem condições de manter a soberania sobre o seu próprio território. Ou está fechado com o crime organizado, ou é muito incompetente.”
A fala indica que segurança pública e crime organizado deverão ser utilizados pela campanha como pontos de confronto direto com Lula.
Política externa também entra no discurso
Flávio aproveitou o primeiro comício para defender sua capacidade de interlocução internacional.
O candidato afirmou possuir condições de dialogar simultaneamente com diferentes potências e blocos internacionais.
“Eu sou o único que pode sentar com os Estados Unidos, com a China, com Israel, com o Oriente Médio, com a Índia e com a Argentina e fazer os melhores e maiores acordos comerciais pelo bem da nossa nação”, declarou.
A afirmação é uma avaliação política feita pelo próprio candidato e deverá ser explorada como parte de sua plataforma de política externa.
Economia: Flávio mira endividamento das famílias
Outro eixo importante foi a economia.
Flávio afirmou que milhões de famílias brasileiras enfrentam endividamento e dificuldades para manter o consumo básico.
Para ilustrar o argumento, utilizou o exemplo de uma mãe que chega ao supermercado com R$ 200 para alimentar a família.
“Se coloque no lugar de um pai, de uma mãe, que tem R$ 200 contadinhos para ir no mercado com a sua filhinha. Bota o leite no carrinho, bota o arroz, bota o feijão, bota uma fralda, bota o sabão em pó. E essa filhinha pede: ‘Mamãe, posso levar um pacotinho de biscoito? Posso levar um Danoninho?’”, discursou.
Segundo Flávio, a realidade de muitas famílias é chegar ao caixa e precisar devolver produtos porque o dinheiro acabou.
Flávio responsabiliza Lula
O candidato também citou a redução do tamanho ou da quantidade de determinados produtos para sustentar sua crítica ao custo de vida.
Flávio mencionou embalagens de papel higiênico, barras de chocolate e latas de cerveja como exemplos.
Ao final, atribuiu a situação ao atual presidente:
“E a culpa é do Lula.”
A responsabilização direta do petista indica que o custo de vida deverá ser outro campo importante da campanha.
“O Brasil vai vencer” estreia nas ruas
O ato deste domingo também marcou a utilização pública da nova identidade da campanha.
Conforme noticiado anteriormente pelo O Contribuinte, Flávio adotou “O Brasil vai vencer” como slogan para a corrida presidencial.
As peças deverão utilizar predominantemente verde e amarelo, com destaque para a letra “V” de “vencer”.
A estratégia marca o início do trabalho do marqueteiro Duda Lima, que assumiu a comunicação da candidatura depois de mudanças internas na equipe.
Duda também participou da campanha de Jair Bolsonaro em 2022.
Verde e amarelo e legado de Bolsonaro
A comunicação optou por preservar símbolos que se consolidaram como marcas do bolsonarismo.
Copacabana, verde e amarelo, Bandeira Nacional e referências ao ex-presidente estiveram presentes justamente no primeiro dia.
Ao mesmo tempo, Flávio tenta construir uma identidade própria.
A frase sobre ser “filho do Pelé” mostra que a própria campanha reconhece o tamanho dessa comparação.
O sobrenome Bolsonaro é seu principal ativo eleitoral, mas também cria o desafio de convencer o eleitor de que sua candidatura não representa simplesmente uma reprodução da campanha do pai.
Campanha eleitoral está oficialmente nas ruas
O domingo marcou também uma mudança jurídica importante na eleição de 2026.
Com o início oficial da campanha, candidatos passam a poder pedir votos explicitamente e realizar atos eleitorais dentro das regras estabelecidas pela legislação, incluindo comícios, carreatas, passeatas e propaganda pela internet.
Flávio escolheu aproveitar o primeiro dia para ocupar um dos principais palcos políticos associados ao bolsonarismo.
E a largada indica quais assuntos deverão acompanhar sua campanha nas próximas semanas.
Segurança pública, combate às facções, custo de vida, política externa e o legado de Jair Bolsonaro aparecem, desde o primeiro ato, como alguns dos pilares da tentativa de Flávio de chegar ao Palácio do Planalto.