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Flávio promete Forças Armadas nas fronteiras e quer classificar PCC, CV e milícias como organizações narcoterroristas

Durante entrevista à Globo, candidato anunciou proposta de enfrentamento ao crime organizado e defendeu maior participação militar no combate ao tráfico de drogas

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro prometeu ampliar a participação das Forças Armadas na proteção das fronteiras brasileiras e adotar medidas para intensificar o combate ao crime organizado caso seja eleito presidente.

As declarações foram feitas durante a sabatina do Jornal Nacional, nesta sexta-feira (16), conduzida pela jornalista Renata Lo Prete, na TV Globo.

Flávio afirmou que pretende declarar uma guerra ao narcotráfico e defender o enquadramento de organizações criminosas, como Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho (CV) e milícias, como organizações narcoterroristas.

A proposta busca alterar a maneira como o Estado brasileiro enfrenta grupos envolvidos com tráfico de drogas, controle territorial e outras modalidades de criminalidade organizada.

Forças Armadas na proteção das fronteiras

O candidato defendeu maior participação militar nas regiões de fronteira, consideradas estratégicas para o enfrentamento ao transporte ilegal de drogas, armas e mercadorias.

A segurança dessas áreas envolve operações de diferentes instituições, incluindo Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal, forças estaduais de segurança e Forças Armadas, cada uma com atribuições legais específicas.

Flávio apresentou a ampliação da atuação militar como parte de sua proposta para fortalecer o combate às organizações criminosas.

PCC, Comando Vermelho e milícias

Outro ponto da entrevista foi a proposta de classificar determinadas organizações criminosas como narcoterroristas.

A expressão associa atividades do tráfico de drogas a práticas de terrorismo.

Entretanto, no Brasil, o enquadramento jurídico de terrorismo possui regras específicas. A Lei nº 13.260, de 2016, estabelece os elementos necessários para a caracterização desses crimes.

A criminalidade organizada também possui legislação própria, incluindo a Lei nº 12.850, de 2013.

Portanto, a classificação defendida por Flávio precisaria ser examinada juridicamente para determinar se exigiria mudanças na legislação e quais consequências concretas produziria para investigações, penas, bloqueios de patrimônio e cooperação internacional.

Mato Grosso do Sul está entre os estados diretamente interessados no debate

A proposta possui relevância especial para Mato Grosso do Sul, estado que faz fronteira com Paraguai e Bolívia e integra importantes rotas de circulação de mercadorias e de combate ao tráfico de drogas.

Municípios fronteiriços, como Ponta Porã e Corumbá, estão entre as localidades onde a atuação integrada das forças de segurança é especialmente importante.

O fortalecimento da fiscalização, da inteligência policial e da cooperação internacional são temas diretamente relacionados à realidade sul-mato-grossense.

Embora Flávio tenha defendido a ampliação do papel das Forças Armadas, a implementação da proposta dependeria de planejamento operacional, recursos financeiros, integração institucional e respeito às atribuições constitucionais de cada força.

Segurança pública na reta final da eleição

Com a declaração, o candidato colocou o enfrentamento ao tráfico e às facções criminosas entre as prioridades anunciadas durante sua participação na Globo.

O combate ao crime organizado é um dos temas em discussão na eleição presidencial, que será decidida em segundo turno no próximo dia 25 de outubro.