Publicação em rede social antecede saída de familiares do ministro de empreendimento conectado a investigados por fraudes financeiras
Uma foto publicada em 9 de fevereiro de 2025 pelo ex-vereador José Luiz Dias Toffoli, irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, reacendeu questionamentos sobre a proximidade entre familiares do magistrado, empresários investigados e personagens centrais de casos bilionários que tramitam no STF.
Na imagem, José Luiz aparece em uma piscina, usando um boné com a inscrição “Tayayá”, nome de um resort de alto padrão localizado no Paraná. À sua frente, uma mulher sorridente segura um drink. O detalhe não passou despercebido: o Tayayá Resort era, naquele momento, administrado por outros dois irmãos do ministro, José Eugênio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli, além de um primo da família, Mario Umberto Degani.
Apenas 12 dias depois, em 21 de fevereiro de 2025, Eugênio e Carlos venderam suas participações no empreendimento à PHD Holding. Desde então, o resort passou a ser formalmente comandado por Paulo Humberto Barbosa, advogado da JBS, empresa dos irmãos Batista que, em 2023, foram beneficiados por decisão de Dias Toffoli no STF que anulou multa de R$ 10,3 bilhões aplicada à companhia.

Conexões com o Banco Master e investigados por fraudes
Antes da venda do Tayayá, Eugênio, Carlos e Degani figuraram como sócios de um fundo controlado por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Tanto Zettel quanto Vorcaro são alvos da atual investigação que apura um esquema de fraudes financeiras envolvendo a instituição bancária.
O caso ganhou ainda mais relevância porque Dias Toffoli é o relator, no Supremo Tribunal Federal, de processos ligados ao Banco Master, o que intensifica o debate sobre conflitos de interesse, mesmo quando não há, até o momento, imputação direta de ilegalidade ao ministro.
Vorcaro acabou preso pela Polícia Federal em 17 de novembro de 2025, semanas após a última atualização pública do perfil de José Luiz Toffoli nas redes sociais.
Quem é José Luiz Dias Toffoli
Bancário aposentado da Caixa Econômica Federal, José Luiz Dias Toffoli teve breve trajetória política. Foi vereador em Marília (SP) entre 1997 e 2000, após obter 940 votos em 1996. Desde então, acumulou derrotas eleitorais:
- 2000: 642 votos
- 2008: 1.982 votos
- 2024: 257 votos, como candidato do PT
José Luiz é filiado ao Partido dos Trabalhadores desde 8 de março de 1990, mesma legenda do presidente Lula, responsável pela indicação de Dias Toffoli ao STF em 2009.
Entre as eleições municipais de 2008 e 2024, os bens declarados por José Luiz cresceram 456,12%, saltando de R$ 90.807,77 para R$ 505.000,00.
Conhecido no meio esportivo amador como “Canhão”, apelido atribuído à força dos seus chutes em jogos de várzea e futebol society, José Luiz já esteve no centro de outras polêmicas públicas. Em 2018, uma foto sua circulou nas redes sociais mostrando-o ao lado de uma garrafa do Château Petrus, um dos vinhos mais caros do mundo. À época, a imagem foi associada à posse de Dias Toffoli como presidente do STF, embora José Luiz tenha afirmado que a foto era de dezembro de 2013.
Foto recente reforça questionamentos
Diferentemente do episódio anterior, a nova imagem com o boné do Tayayá Resort traz a data de publicação registrada em sua própria rede social, o que reforça o vínculo temporal entre a presença do irmão do ministro no empreendimento e a posterior venda das participações familiares.
O perfil de José Luiz também reúne registros familiares, incluindo uma foto da lápide de seus pais, Luiz Toffoli e Sebastiana Seixas Dias Toffoli, publicada em 31 de outubro de 2025, sua última atualização.
Embora não haja, até o momento, decisão judicial que impute ilegalidades diretas aos familiares do ministro, a sucessão de fatos, conexões societárias e decisões judiciais envolvendo personagens comuns levanta questionamentos sobre transparência, ética pública e a necessidade de maior escrutínio sobre relações privadas que orbitam o topo do Judiciário brasileiro.