Trabalhadores da empresa JVP Construções denunciaram uma grave crise financeira e operacional enfrentada pela companhia, responsável por serviços terceirizados ligados ao setor elétrico em Mato Grosso do Sul. Segundo relatos enviados à reportagem, os problemas se arrastam desde outubro e novembro do ano passado e envolvem atrasos frequentes de salários, parcelamento de benefícios, inadimplência trabalhista e até riscos à segurança dos funcionários.
De acordo com os trabalhadores, os salários vêm sendo pagos com atrasos que chegam a 20 dias todos os meses. O vale-alimentação, segundo os relatos, passou a ser parcelado pela empresa, enquanto depósitos do FGTS também estariam atrasados.
Os trabalhadores afirmam ainda que a situação atingiu diretamente o plano de saúde dos funcionários, que teria sido bloqueado diversas vezes por falta de pagamento da empresa junto à operadora.
“Os funcionários estão à deriva. Ninguém sabe se amanhã vai chegar para trabalhar e a empresa ainda estará funcionando”, relata um dos trabalhadores, sob condição de anonimato.
Além dos problemas financeiros, os funcionários denunciam falta de condições mínimas de trabalho. Segundo os relatos, faltam materiais individuais básicos para execução dos serviços, enquanto parte da frota estaria sucateada, com veículos parados por falta de manutenção.
A situação gera preocupação principalmente pelo tipo de atividade exercida pelos trabalhadores, que atuam diariamente em serviços elétricos e operacionais considerados de risco.
Outro ponto que revolta os funcionários é a ausência de transparência da empresa sobre o futuro do contrato. Segundo os relatos, o contrato estaria próximo do vencimento e, sem qualquer posicionamento oficial da JVP, rumores sobre possível falência, auditoria interna e até recuperação judicial começaram a circular entre os trabalhadores.
“É um clima de medo e insegurança total. A empresa não fala nada, a Energisa não se posiciona e os trabalhadores ficam sem saber se terão emprego ou se vão receber aquilo que é direito deles”, afirmou outro funcionário.
Diante da crise, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria e Comércio de Energia de Mato Grosso do Sul (SINERGIA-MS) informou que já realizou notificações e denúncias aos órgãos competentes cobrando providências imediatas.
Em nota, o sindicato afirmou que acompanha denúncias relacionadas a atrasos salariais, ticket alimentação, verbas trabalhistas e questões envolvendo a segurança dos trabalhadores.
A entidade informou ainda que foi ajuizada uma Ação Civil Pública (ACP) na 6ª Vara do Trabalho de Campo Grande, com pedido de pagamento das diferenças salariais devidas aos trabalhadores.
“O SINERGIA-MS segue cobrando providências imediatas diante das denúncias envolvendo atrasos salariais, ticket alimentação, verbas trabalhistas e segurança dos trabalhadores da JVP.”, destacou o sindicato.
A entidade também orientou os funcionários a guardarem holerites, folhas de ponto, comprovantes e demais documentos relacionados ao vínculo empregatício, além de oferecer reunião on-line com a assessoria jurídica para esclarecimento de dúvidas.
Enquanto isso, os trabalhadores seguem cobrando uma resposta concreta tanto da JVP Construções quanto da Energisa, apontada pelos funcionários como tomadora dos serviços terceirizados.
“Precisamos de transparência e garantia dos direitos trabalhistas. Não dá mais para continuar vivendo nessa incerteza”, desabafou um trabalhador.
Até o momento, segundo os relatos, nem a empresa nem a contratante teriam apresentado um posicionamento público sobre a situação denunciada pelos funcionários.