Novo contrato firmado já na gestão do prefeito Wagner da Garagem passa a ser analisado. Ex-prefeito Júnior Vasconcelos aparece em conversas, transferências bancárias e divisão de valores reveladas pela Operação Gutenberg.
A nova fase da Operação Gutenberg voltou os olhos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para Fátima do Sul.
O município passou a integrar a mais recente frente de investigação aberta pelo Ministério Público, que agora analisa um contrato de R$ 244.020,00 firmado entre a Prefeitura e a Editora Avante.
O fato chama atenção porque Fátima do Sul já possuía um dos principais personagens da Operação Gutenberg.
Trata-se do ex-prefeito Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, o Júnior Vasconcelos, que até a deflagração da operação exercia a função de assessor parlamentar do deputado estadual Jamilson Name (PP).
Nesta semana, além de ter a prisão preventiva mantida pela Justiça, Júnior tornou-se oficialmente réu na ação penal proposta pelo Ministério Público.
Agora, paralelamente à ação contra os 17 denunciados, o Gaeco passa a analisar um contrato firmado já durante a gestão do prefeito Wagner da Garagem, eleito em 2024.
Até o momento, o Ministério Público não atribuiu qualquer irregularidade ao atual prefeito ou à administração municipal. A nova fase busca reunir documentos e verificar como ocorreu a contratação.
Duas gestões diferentes, uma mesma investigação
Júnior Vasconcelos administrou Fátima do Sul entre 2013 e 2016 e não conseguiu a reeleição.
Mesmo depois de deixar a Prefeitura, seu nome voltou ao centro da política estadual ao assumir cargo no gabinete do deputado estadual Jamilson Name, onde permaneceu até ser preso na Operação Gutenberg.
Ao longo da investigação, o nome de Júnior aparece repetidamente nas conversas analisadas pelo Gaeco.
Segundo o relatório, ele é mencionado em negociações sobre contratos, percentuais e divisão de valores relacionados à atuação da Editora Avante.
Agora, anos depois de sua gestão municipal, Fátima do Sul retorna ao radar da Operação Gutenberg em razão de um contrato celebrado já sob outra administração.
O histórico de Júnior na investigação
Ao longo das últimas semanas, O Contribuinte revelou diversos trechos do relatório do Gaeco envolvendo Júnior Vasconcelos.
Entre eles, uma transferência bancária de R$ 22,5 mil recebida da Editora Avante logo após a empresa receber recursos públicos.
Também foram divulgadas mensagens em que Júnior aparece identificado pela sigla “JR”.
Em um dos diálogos reproduzidos pelo Ministério Público, Ed Carlo Britto Burgatt questiona:
“Os 5% meu e 5 do JR estão garantidos?”
Em outro trecho, investigados discutem a divisão de R$ 156.653,25 em três parcelas iguais:
R$ 52.217,75 para DEP;
R$ 52.217,75 para EC;
R$ 52.217,75 para JR.
Conforme apuração exclusiva de O Contribuinte, o Gaeco trabalha com a hipótese de que “JR” faça referência a Júnior Vasconcelos e de que “DEP” seja uma referência ao deputado estadual Jamilson Name, então chefe político do ex-prefeito. Essa interpretação integra a linha investigativa do Ministério Público e ainda será submetida ao contraditório. O deputado nega envolvimento com irregularidades.
O que será analisado agora
O novo contrato firmado pela Prefeitura de Fátima do Sul possui valor de R$ 244.020,00 e vigência entre 5 de novembro de 2025 e 5 de maio de 2026.
Segundo o Ministério Público, a nova etapa da investigação pretende analisar a documentação relacionada ao procedimento administrativo, a execução contratual e as justificativas que embasaram a contratação da Editora Avante.
Até o momento, a inclusão do município na nova frente de investigação não representa acusação formal contra a atual gestão, mas sim o aprofundamento da apuração sobre contratos celebrados com a empresa investigada.
O que é a Operação Gutenberg?
Deflagrada em 7 de julho de 2026, a Operação Gutenberg investiga um suposto esquema que, segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, movimentou aproximadamente R$ 27 milhões por meio de contratos de livros paradidáticos firmados com prefeituras.
Segundo a denúncia já recebida pela Justiça, o grupo utilizaria a Editora Avante como eixo financeiro do esquema, com suspeitas de direcionamento de contratações, pagamento de vantagens indevidas, lavagem de dinheiro e utilização da estrutura da Regulação Estadual da Saúde para influenciar negociações com municípios.
Atualmente, 17 pessoas respondem à ação penal, entre elas empresários, ex-servidores públicos, integrantes da família Jafar, o ex-coordenador da Regulação Estadual Ed Carlo Britto Burgatt, o advogado Gabriel Taquino de Paula e o ex-prefeito Júnior Vasconcelos.
Todos os citados têm direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência.
O contrato que colocou Fátima do Sul novamente no radar
Fátima do Sul voltou ao campo de apuração da Operação Gutenberg por causa de um contrato firmado entre a Prefeitura e a Editora Avante, empresa apontada pelo Ministério Público como um dos principais instrumentos do suposto esquema de R$ 27 milhões.
O contrato possui valor de R$ 244.020,00 e vigência entre 5 de novembro de 2025 e 5 de maio de 2026, período já correspondente à gestão do prefeito Wagner da Garagem, eleito em 2024.
É esse negócio que passou a integrar a nova frente de análise do Gaeco.
A investigação deverá verificar:
– como a Editora Avante foi escolhida;
= qual procedimento administrativo antecedeu a contratação;
– se houve inexigibilidade de licitação;
– quais documentos foram utilizados para justificar a escolha da empresa;
– quem assinou, atestou e fiscalizou o contrato;
– se os livros foram entregues integralmente;
– como os preços foram calculados;
– quais pagamentos foram realizados;
– e para onde seguiram os recursos depois de entrarem na conta da editora