Segundo o Ministério Público, Rhayane Souza Fanaia aparecia como proprietária da Editora Avante, mas a investigação sustenta que as decisões financeiras eram tomadas por Rossana Paroschi Jafar, apontada como a verdadeira controladora da empresa.
A Operação Gutenberg ganhou um novo capítulo com a revelação de um personagem até então pouco conhecido nas investigações. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a estudante Rhayane Souza Fanaia, que divulgava nas redes sociais a venda de roupas de brechó, teria sido utilizada como “laranja” em um dos núcleos do suposto esquema que movimentou aproximadamente R$ 27 milhões em contratos públicos para aquisição de livros paradidáticos em Mato Grosso do Sul.
De acordo com a investigação, Rhayane figurava formalmente como proprietária da Editora Avante, empresa sediada em São Paulo que celebrou contratos milionários com diversas prefeituras sul-mato-grossenses. No entanto, para o Ministério Público, quem efetivamente controlava a empresa era a empresária Rossana Paroschi Jafar, presa durante a Operação Gutenberg.
Empresa recebeu cerca de R$ 5 milhões
Conforme os autos da investigação, a Editora Avante recebeu aproximadamente R$ 5 milhões em contratos firmados com municípios de Mato Grosso do Sul entre os anos de 2022 e 2023.
Segundo o Gaeco, a empresa foi aberta em nome de Rhayane, mas a movimentação financeira e as decisões estratégicas estariam concentradas nas mãos de Rossana Paroschi Jafar, apontada pelos investigadores como a verdadeira responsável pelo empreendimento.
Conversas mostram orientação sobre o dinheiro
Um dos elementos considerados relevantes pela investigação são mensagens obtidas mediante autorização judicial.
Em uma delas, após a Prefeitura de Douradina transferir R$ 336.075,10 para a conta da Editora Avante, Rhayane pergunta a Rossana como deveria proceder com os valores recebidos.
Na sequência, conforme descrito na investigação, ela realiza transferências seguindo orientações recebidas e encaminha os respectivos comprovantes.
Para o Ministério Público, as conversas demonstram que a estudante não possuía autonomia sobre a movimentação financeira da empresa, limitando-se a cumprir determinações relacionadas à distribuição dos recursos.
Investigação aponta pagamento por participação
Ainda segundo o Gaeco, Rhayane receberia apenas uma pequena parcela dos valores movimentados pela empresa.
A investigação descreve que ela ficaria com cerca de 1% das quantias distribuídas, percentual que seria uma remuneração pela utilização de seu nome na estrutura societária da editora.
Essa circunstância reforça uma das hipóteses investigadas pelo Ministério Público sobre eventual utilização de terceiros para ocultar a verdadeira administração da empresa.
Ligação com a família Jafar
Rhayane foi casada com Giovanni Paroschi Jafar, um dos investigados na Operação Gutenberg e que permanece com mandado de prisão preventiva pendente de cumprimento.
Além de Rossana Paroschi Jafar, também foram presos seus filhos Olívia Paroschi Jafar e Felipe Paroschi Jafar, apontados como integrantes do núcleo familiar investigado pelo Ministério Público.
Segundo os investigadores, Rhayane também foi vista frequentando a Clínica Ross, empreendimento ligado à família Jafar, fato citado como um dos elementos analisados durante a apuração.

Investigação continua
A Operação Gutenberg investiga uma suposta organização criminosa suspeita de fraudar contratos públicos, praticar corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros crimes contra a administração pública.
As informações divulgadas até o momento correspondem à linha investigativa apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul. O caso segue sob análise do Poder Judiciário e os investigados permanecem amparados pelos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência até eventual decisão judicial definitiva.