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Giovanni Jafar relata ameaça de morte durante audiência; Justiça manda investigar policial militar

Empresário se apresentou à Justiça após permanecer foragido desde a deflagração da operação e afirmou ter recebido ameaças atribuídas a um policial militar.

A Operação Gutenberg ganhou um novo desdobramento judicial nesta semana. Durante a audiência de custódia realizada após sua apresentação espontânea à Justiça, o empresário Giovanni Paroschi Jafar afirmou ter sido alvo de ameaças de morte atribuídas a um policial militar.

Diante da declaração, a juíza Eucélia Moreira Cassal determinou o encaminhamento do caso ao Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (Gacep), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, e também à Corregedoria da Polícia Militar, para que os fatos sejam apurados.

Entrega ocorreu uma semana após a operação

Giovanni era o último integrante da família Paroschi Jafar que permanecia com mandado de prisão preventiva pendente.

Ele se apresentou às autoridades após permanecer foragido desde 7 de julho, data em que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou a Operação Gutenberg para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás.

Com sua apresentação, todos os principais integrantes do núcleo familiar investigado passaram a ficar à disposição da Justiça.

Defesa pediu transferência

Durante a audiência de custódia, a defesa informou que Giovanni faz uso contínuo de medicamentos e solicitou que ele fosse encaminhado ao Centro de Triagem Anísio Lima, alegando razões de segurança em razão das ameaças relatadas.

A magistrada, entretanto, rejeitou o pedido.

Na decisão, destacou que a escolha da unidade prisional não cabe ao preso nem pode ser definida com base em vínculos familiares ou preferência da defesa.

Medidas de proteção

Embora tenha negado a transferência para unidade específica, a juíza determinou que a Agepen realize avaliação de risco quando Giovanni ingressar no sistema prisional.

Segundo a decisão, caberá à administração penitenciária definir o estabelecimento mais adequado e adotar todas as medidas necessárias para preservar a integridade física do investigado, caso as ameaças relatadas representem risco concreto.

Investigação sobre o policial

Além das providências relacionadas ao sistema prisional, a magistrada determinou que a notícia da suposta ameaça seja encaminhada ao Gacep e à Corregedoria da Polícia Militar, responsáveis por apurar eventual conduta irregular atribuída ao policial mencionado durante a audiência.

Até o momento, não há conclusão sobre a veracidade da denúncia apresentada pelo investigado. A apuração deverá ocorrer em procedimento próprio.

Núcleo familiar investigado

Giovanni Paroschi Jafar integra a família apontada pelo Ministério Público como um dos núcleos centrais da suposta organização criminosa investigada na Operação Gutenberg.

Também permanecem presos no âmbito da operação sua mãe, Rossana Paroschi Jafar, e seus irmãos Olívia Paroschi Jafar e Felipe Paroschi Jafar.

Segundo o Gaeco, o grupo é investigado por suposta participação em um esquema que teria movimentado cerca de R$ 27 milhões por meio de contratos públicos para aquisição de livros paradidáticos, além de possíveis crimes de corrupção, fraude em licitações, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A investigação prossegue e todos os investigados permanecem amparados pelos direitos ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência até decisão judicial definitiva.