Faltando pouco mais de duas semanas para a eleição, ex-secretário e ex-deputado aposta no legado administrativo, na passagem por Brasília e na experiência para buscar retorno à Câmara Federal
A 17 dias da eleição de 4 de outubro, Edson Giroto (PL) entra na fase decisiva da campanha para deputado federal apostando em algo que nenhum adversário consegue construir durante os poucos meses de uma eleição: a memória deixada por anos de atuação na administração pública.
Depois de um longo período afastado das urnas, Giroto voltou à política em 2026 e encontrou justamente em seu passado como secretário de Obras uma das principais ferramentas para tentar retornar à Câmara dos Deputados.
Nas ruas, reuniões e redes sociais, sua campanha tem recorrido à comparação entre a Campo Grande de hoje e o período em que Giroto comandava a Secretaria Municipal de Obras.
É uma estratégia que desperta nostalgia em parte do eleitorado, especialmente entre moradores que acompanharam as transformações urbanas daquele período e associam o nome do ex-secretário à execução de grandes intervenções na Capital.
Depois da experiência municipal, Giroto também comandou a Secretaria de Estado de Obras Públicas e Transportes, ampliando sua atuação para diferentes regiões de Mato Grosso do Sul.
Das obras para Brasília
A trajetória administrativa foi seguida pela passagem pela Câmara dos Deputados.
Eleito deputado federal, Giroto passou a atuar no outro lado da construção de políticas públicas: a articulação política e orçamentária em Brasília.
É justamente essa combinação que sua campanha procura apresentar ao eleitor nesta reta final.
Giroto argumenta que conhece desde a elaboração de um projeto até a busca pelo dinheiro necessário para executá-lo.
“Eu conheço a dificuldade de tirar um projeto do papel. Sei que não basta anunciar. Tem que buscar recurso, acompanhar, cobrar e entregar”, afirma.
Como parlamentar, Giroto também destinou recursos e emendas para Mato Grosso do Sul, experiência que agora utiliza para defender uma atuação mais próxima dos prefeitos caso retorne ao Congresso.
A proposta apresentada pelo candidato é funcionar como uma ponte entre os municípios e Brasília, auxiliando não somente na obtenção de recursos, mas também na elaboração e no acompanhamento dos projetos.
Nostalgia virou elemento da campanha
Se no início da campanha havia curiosidade sobre como o eleitor receberia o retorno de Giroto depois de anos distante das disputas eleitorais, a estratégia adotada foi voltar às origens.
Obras e infraestrutura passaram novamente ao centro do discurso.
A campanha tem explorado justamente a lembrança de uma época de grandes intervenções urbanas em Campo Grande e de investimentos estaduais em infraestrutura.
Ao mesmo tempo, Giroto procura não limitar sua candidatura ao passado.
O candidato passou a defender uma nova agenda federal, levando a experiência da infraestrutura para discussões envolvendo logística, agronegócio, saúde, segurança pública, desenvolvimento econômico e geração de empregos.
A mensagem é simples: utilizar aquilo que aprendeu executando obras para buscar recursos e soluções em outras áreas.
Apoios na volta à política
A candidatura também tem recebido adesões durante a campanha.
Giroto percorre municípios, participa de reuniões e busca reconstruir pontes políticas acumuladas ao longo de sua passagem pela prefeitura, Governo do Estado e Congresso Nacional.
Filiado ao Partido Liberal, disputa dentro de uma chapa que busca representação de Mato Grosso do Sul na Câmara.
No cenário nacional, Giroto possui relação política antiga com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, além de integrar o projeto eleitoral da legenda para 2026.
Esses fatores são apresentados por aliados como sinais de que o ex-secretário chegou competitivo à fase decisiva da campanha. Sem uma pesquisa eleitoral atual e metodologicamente adequada para deputado federal, porém, não é possível afirmar objetivamente sua posição na corrida pelas vagas.
Uma eleição diferente para Giroto
A campanha de 2026 também possui um significado particular para o candidato.
Durante anos, Giroto esteve distante das urnas e teve seu nome relacionado principalmente aos processos judiciais decorrentes da Operação Lama Asfáltica.
Neste ano, passou a apresentar decisões e documentos judiciais como parte desse processo de retorno à vida pública.
Em junho, divulgou uma certidão da Justiça Eleitoral mostrando que estava com suas obrigações eleitorais regularizadas e direitos políticos em dia.
Posteriormente, a 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região anulou, por unanimidade, uma condenação de Giroto em uma das ações da Lama Asfáltica devido à suspeição reconhecida do magistrado responsável pelo processo.
A decisão anulou a condenação, mas não significou absolvição. A denúncia permaneceu válida e o processo retornou à primeira instância.
Politicamente, contudo, Giroto conseguiu efetivamente retornar às urnas.
Experiência como argumento
Agora, faltando pouco mais de duas semanas para a votação, a campanha entra em sua fase mais intensa.
E Giroto escolheu concentrar sua mensagem em uma pergunta que pretende levar até o eleitor no dia 4: o que sua experiência pode fazer por Mato Grosso do Sul daqui para frente?
Infraestrutura continua sendo sua principal vitrine.
Rodovias, pavimentação, drenagem, saneamento, logística e obras municipais aparecem entre os assuntos nos quais pretende concentrar atuação em Brasília.
Para um Estado cuja economia possui forte dependência do agronegócio e do transporte rodoviário, Giroto defende que infraestrutura não pode ser tratada isoladamente. Estradas e corredores logísticos interferem diretamente no custo da produção e na competitividade de Mato Grosso do Sul.
Na saúde, o candidato defende utilizar a mesma lógica de articulação federal: identificar demandas dos municípios, buscar recursos no orçamento da União e acompanhar a aplicação.
O passado como ponte para o futuro
A aposta eleitoral de Giroto nesta reta final, portanto, tem dois tempos.
O primeiro é o passado.
É lembrar ao eleitor o período em que esteve à frente das obras de Campo Grande e posteriormente de Mato Grosso do Sul, além dos recursos destinados ao Estado durante sua passagem pela Câmara.
O segundo é o futuro.
Giroto tenta convencer o eleitor de que a experiência adquirida naquele período pode ser utilizada novamente, agora diante dos problemas atuais enfrentados pelos municípios.
A 17 dias das urnas, o ex-secretário está novamente no centro de uma disputa eleitoral depois de anos distante das campanhas.
Seus apoiadores enxergam na ampliação das adesões, no histórico eleitoral e na lembrança de sua passagem pela gestão pública elementos que o mantêm na briga pelas cadeiras de Mato Grosso do Sul na Câmara.
A resposta definitiva, porém, caberá aos eleitores no próximo 4 de outubro.