Ex-secretário de Obras de Campo Grande foi preso preventivamente na operação “Buraco Sem Fim”, que apura supostas fraudes milionárias em contratos de tapa-buraco
O Governo de Mato Grosso do Sul exonerou, nesta terça-feira (12), o diretor-presidente da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), Rudi Fiorese, poucas horas após ele ser preso preventivamente durante a operação “Buraco Sem Fim”, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul.
A investigação conduzida pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e pelo Gaeco (Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado) apura suspeitas de fraudes sistemáticas em contratos de tapa-buraco firmados em Campo Grande desde 2018, com valores que ultrapassam R$ 113 milhões.
Fiorese foi preso em casa nas primeiras horas da manhã e levado para a delegacia durante o cumprimento dos mandados judiciais expedidos pela Justiça.
Em nota oficial, a Seilog (Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística) informou que a investigação não tem relação com a atuação de Rudi Fiorese no Governo do Estado, mas sim com o período em que ele comandou a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) da Capital.
“O diretor-presidente da Agesul figura por sua atuação anterior na Secretaria de Obras da Capital, período ao qual a investigação se restringe. A Seilog, comprometida com lisura e transparência na administração pública, acompanha o desenrolar da investigação, e já tomou as providências necessárias, com exoneração do servidor”, informou a pasta.
A exoneração ocorreu no mesmo dia em que a operação ganhou repercussão estadual devido às prisões e às apreensões de dinheiro vivo durante as buscas.
Segundo o Ministério Público, a investigação aponta a existência de um esquema criminoso estruturado para fraudar medições técnicas de serviços de manutenção asfáltica, permitindo pagamentos públicos supostamente incompatíveis com os serviços efetivamente executados.
As suspeitas recaem sobre contratos e aditivos firmados entre 2018 e 2025.

RUDI COMANDOU A SISEP POR SEIS ANOS
Rudi Fiorese assumiu a Secretaria Municipal de Infraestrutura em 2017, ainda na gestão do ex-prefeito Marquinhos Trad (PV), permanecendo no cargo até 2023.
Após deixar a prefeitura, ele foi nomeado diretor-presidente da Agesul em fevereiro deste ano.
Além de Fiorese, também foram presos o gestor de projetos Edivaldo Aquino Pereira e o engenheiro Mehdi Talayeh, ambos ligados à estrutura da Sisep.
Os três já haviam sido citados anteriormente na Operação Cascalhos de Areia, investigação aberta em 2023 para apurar suspeitas de fraudes em contratos de manutenção de vias não pavimentadas.
DINHEIRO EM ESPÉCIE FOI APREENDIDO
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, investigadores encontraram grandes quantias em dinheiro vivo nos imóveis dos investigados.
Segundo o Ministério Público, foram apreendidos ao menos R$ 429 mil em espécie.
Parte do valor, cerca de R$ 186 mil, estava em um dos endereços ligados aos alvos da operação. Outros R$ 233 mil foram encontrados em outro imóvel.
A investigação agora busca identificar a origem do dinheiro apreendido e se os valores possuem ligação direta com os contratos investigados.
O QUE SE SABE SOBRE A INVESTIGAÇÃO
Valores investigados
Contratos e aditivos somam R$ 113.702.491,02;
Período investigado vai de 2018 a 2025;
Apuração envolve contratos de tapa-buraco em Campo Grande.
Quem foi preso
Rudi Fiorese — ex-secretário da Sisep e ex-presidente da Agesul;
Mehdi Talayeh — engenheiro ligado à Sisep;
Edivaldo Aquino Pereira — gestor de projetos;
Outros quatro investigados também foram presos preventivamente.
Dinheiro apreendido
R$ 429 mil em dinheiro vivo;
R$ 186 mil encontrados em um endereço alvo;
R$ 233 mil apreendidos em outro imóvel.
O que aponta o MPMS
Suspeita de manipulação de medições técnicas;
Pagamentos por serviços supostamente não executados;
Indícios de organização criminosa;
Possível enriquecimento ilícito e prejuízo aos cofres públicos.