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Governo Lula promete ação dura contra médicos que questionam vacinas, diz Padilha

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou neste domingo (16) que o governo Lula iniciará uma ofensiva jurídica e administrativa contra médicos que, segundo a pasta, têm disseminado conteúdos considerados “antivacina” e lucrado com cursos, consultas e tratamentos sem comprovação científica.

De acordo com o Ministério da Saúde, as medidas serão deflagradas a partir desta segunda-feira (17) e terão atuação em quatro frentes, envolvendo representações, ações judiciais e notificações a plataformas digitais.

Pela manhã, Padilha já havia anunciado nas redes sociais que, em parceria com a Advocacia-Geral da União (AGU), o governo adotará “todas as medidas cabíveis” para conter a difusão da chamada “síndrome pós-spike” ou “spikeopatia”, termo usado por esses médicos para relacionar supostos efeitos adversos às vacinas de RNA mensageiro (mRNA), utilizadas durante a pandemia de Covid-19.

Em entrevista ao Estadão, Padilha classificou o comportamento desses profissionais como a combinação de “negacionismo com ganância”, afirmando que o governo atuará com rigor.

Quatro eixos de atuação

Padilha detalhou que o Ministério da Saúde, em conjunto com a AGU, adotará as seguintes medidas:

1. Representação no Conselho Regional de Medicina (CRM)

A pasta apresentará representações formais contra médicos suspeitos de terem cometido infrações éticas.

2. Ação civil pública

Segundo o ministro, os profissionais podem responder por violar o direito coletivo à saúde ao propagar desinformação, estando sujeitos a indenizações.

3. Ação criminal

O governo prepara ações criminais relacionadas à venda de terapias e tratamentos considerados falsos, o que pode configurar crimes contra a saúde pública.

4. Notificação a plataformas digitais

A AGU avalia notificações extrajudiciais para exigir a retirada de conteúdos relacionados à venda de cursos, produtos e informações classificadas como enganosas sobre vacinas e saúde.

Padilha afirma que a prioridade é coibir práticas que possam colocar a saúde pública em risco e impedir que profissionais obtenham vantagem financeira com conteúdos considerados fraudulentos.