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Governo Lula supera R$ 1,4 bilhão em três anos no cartão corporativo

Despesas incluem pagamentos a empresas de construção, meios de pagamento e delivery

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já gastou mais de R$ 423 milhões no cartão corporativo apenas em 2025, segundo dados oficiais divulgados pela própria administração federal. Apesar de o valor ser inferior ao registrado no ano passado, o volume continua elevado e reacende o debate sobre transparência e responsabilidade no uso do dinheiro público.

De acordo com os registros, os maiores desembolsos ocorreram em pagamentos destinados a empresas de meios de pagamento, fornecedores de materiais de construção e até plataformas de entrega de alimentos, como o iFood. A natureza detalhada das despesas, no entanto, permanece praticamente inacessível à sociedade.

Um processo de monitoramento realizado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que mais de 99% das despesas estão classificadas como sigilosas, o que impede o contribuinte de saber exatamente como os recursos estão sendo utilizados.

Histórico de gastos elevados

Os números de 2025 seguem a tendência dos anos anteriores. Em 2024, o governo federal desembolsou R$ 584 milhões por meio do cartão corporativo — o maior valor do atual mandato. Já em 2023, primeiro ano de Lula de volta ao Palácio do Planalto, os gastos somaram R$ 430 milhões.

Somando os três anos, o volume ultrapassa R$ 1,4 bilhão.

Reportagem da revista Veja revelou que, apenas na Presidência da República, o gasto com cartão corporativo chegou a R$ 55 milhões no atual mandato, reforçando questionamentos sobre a dimensão das despesas vinculadas diretamente ao chefe do Executivo.

Falta de transparência

O cartão corporativo do governo federal foi criado para custear despesas institucionais consideradas estratégicas ou urgentes. Contudo, especialistas em contas públicas e entidades que defendem a transparência afirmam que o uso recorrente de classificação sigilosa compromete o controle social.

Para críticos da atual gestão, o cenário evidencia uma contradição entre o discurso de responsabilidade fiscal e a prática administrativa. Enquanto o governo defende aumento de arrecadação e novas medidas tributárias, os gastos administrativos seguem em patamar elevado — e com pouca publicidade sobre seu destino.

O peso para o contribuinte

Em um momento em que o Executivo federal discute aumento de impostos e ampliação de carga tributária para equilibrar as contas públicas, o volume de despesas no cartão corporativo reforça a cobrança por mais rigor na aplicação dos recursos.

Para o contribuinte, que arca com a conta, permanece a pergunta: se o dinheiro é público, por que quase tudo continua sob sigilo?