A greve dos enfermeiros da Santa Casa de Campo Grande foi encerrada na noite desta terça-feira (23), após a categoria aceitar uma proposta apresentada pela administração do hospital. O acordo prevê o pagamento de 50% do décimo terceiro salário nesta quarta-feira (24) e os outros 50% no dia 10 de janeiro de 2026.
Embora a proposta esteja longe do ideal, os profissionais decidiram aceitar os termos diante do cenário de insegurança financeira e da falta de garantias imediatas por parte da gestão hospitalar. A paralisação, que expôs mais uma vez a fragilidade administrativa da principal unidade de saúde do Estado, foi marcada por tensão e conflitos durante as negociações.
Na tarde desta terça-feira, a Polícia Militar chegou a ser acionada após os ânimos se exaltarem durante as tratativas entre trabalhadores e representantes da Santa Casa.
Médicos ficam fora da negociação e prometem batalha judicial
Diferentemente dos enfermeiros, o Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul) informou que não foi convidado para a reunião que resultou no acordo e que a situação envolvendo os atrasos salariais da categoria já está judicializada.
“O sindicato não participou de nenhuma negociação. Vamos entrar em batalha judicial contra esta atual administração”, afirmou o presidente do Sinmed, Marcelo Santana Silveira.
Administração aponta inadimplência, mas repasses estão em dia
Durante as negociações, a direção da Santa Casa alegou dificuldades financeiras e atribuiu a falta de reajustes e pagamentos à Prefeitura de Campo Grande e ao Governo do Estado. No entanto, ambos os entes públicos negam qualquer inadimplência.
A Prefeitura de Campo Grande reafirmou, por meio de nota, que está em dia com todos os repasses destinados à Santa Casa e destacou que, desde o início de 2025, vem realizando aportes extras mensais de R$ 1 milhão para auxiliar no custeio da unidade.
Já o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul informou que já repassou mais de R$ 115,7 milhões em 2025 para a Santa Casa de Campo Grande. O Executivo estadual também esclareceu que não é responsável pelo pagamento do décimo terceiro salário dos funcionários do hospital.
Estado nega obrigação com 13º e detalha repasses
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS), não existe pactuação que atribua ao Governo do Estado a responsabilidade pelo pagamento do décimo terceiro salário. A pasta destacou que, em anos anteriores, foram feitos repasses extraordinários aos hospitais filantrópicos apenas como forma de apoio, sem caráter obrigatório.
Ainda de acordo com a SES-MS, os repasses da contratualização da Santa Casa são realizados regularmente ao município de Campo Grande, sempre até o quinto dia útil. Entre janeiro e outubro de 2025, foram transferidos R$ 90.773.147, o que representa uma média mensal de R$ 9.077.314,70.
Crise expõe falhas de gestão
Apesar do encerramento da greve dos enfermeiros, o episódio escancara mais uma vez os problemas de gestão da Santa Casa, que insiste em atribuir responsabilidades a terceiros, mesmo diante da comprovação de que os repasses públicos estão sendo feitos regularmente. A crise financeira, que afeta diretamente trabalhadores e pacientes, segue sem explicações claras sobre o destino dos recursos e sem garantias de que novos atrasos não voltarão a ocorrer.