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Herdeiro do grupo Zahran, foragido e alvo de operação, é denunciado por golpe de R$ 5 milhões; veja

Denúncia foi protocolada em dezembro de 2025 e aponta uso do sobrenome Zahran para fraudar vítimas

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) denunciou formalmente o empresário Camilo Gandi Zahran Georges, herdeiro do grupo Zahran, por envolvimento em um esquema de estelionato e associação criminosa que teria causado prejuízo aproximado de R$ 5 milhões às vítimas. A denúncia foi protocolada em 3 de dezembro de 2025, conforme documentos oficiais obtidos com exclusividade pelo portal O Contribuinte.

Camilo Zahran é alvo da segunda fase da Operação Castelo de Cartas, deflagrada pela Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de São José do Rio Preto (SP), e segue foragido da Justiça, com mandado de prisão em aberto, sem ter se apresentado às autoridades até o fechamento desta reportagem.

Ponta do iceberg

Os recentes desdobramentos da Operação Castelo de Cartas, que teve nova fase deflagrada nesta semana, indicam que a ofensiva policial pode representar apenas a ponta do iceberg de um esquema mais amplo de fraudes financeiras. Após matérias investigativas publicadas pelo portal O Contribuinte, surgiram novas informações que ampliam significativamente o alcance das suspeitas.

O O Contribuinte teve acesso exclusivo à denúncia formal oferecida pelo Ministério Público, que revela que Camilo Gandi Zahran Georges já havia sido denunciado pelo MP por um golpe estimado em R$ 5 milhões, em fatos anteriores aos recentes desdobramentos da operação policial. A existência dessa ação penal reforça a linha investigativa de que o caso vai além do que até agora foi tornado público pelas autoridades e pode envolver outros episódios, novas vítimas e ramificações financeiras ainda em apuração.

O que diz a denúncia do Ministério Público

Segundo a denúncia apresentada pela 10ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, os crimes teriam ocorrido entre março e dezembro de 2023, quando Camilo Zahran, em conjunto com outros quatro denunciados, teria obtido vantagem ilícita mediante artifícios fraudulentos, falsas promessas de investimento e empresas de fachada.

De acordo com o MP, Camilo utilizou a relação de amizade e confiança com as vítimas, além do prestígio do sobrenome Zahran, para induzi-las a investir em negócios inexistentes, como suposta exportação de ouro, falsa representação comercial de bebidas e participação em uma rede de supermercados, que jamais saiu do papel.

Somente em um dos episódios, as vítimas investiram R$ 2,5 milhões, com promessa de rendimento mensal de 3,75% e devolução integral do capital, o que nunca ocorreu.

Golpe milionário e pulverização de valores

A denúncia detalha que os valores foram transferidos de forma fracionada para contas bancárias de terceiros e de empresas, prática conhecida como “pulverização”, com o objetivo de ocultar a origem ilícita do dinheiro. O montante total do prejuízo apurado pelo Ministério Público chega a R$ 5 milhões.

O órgão ministerial sustenta que havia divisão clara de tarefas dentro do grupo criminoso, sendo Camilo Zahran o responsável direto pela captação das vítimas e negociação dos supostos investimentos, enquanto os demais denunciados atuavam como intermediários financeiros.

Crimes imputados

Na ação penal, Camilo Zahran e os demais denunciados respondem por:

– Estelionato (art. 171 do Código Penal), por diversas vezes;

– Associação criminosa (art. 288 do Código Penal).

O Ministério Público requereu ainda que, em eventual condenação, seja fixado valor mínimo de R$ 5 milhões para reparação dos danos causados às vítimas.

Tramitação da ação penal

A denúncia foi recebida e autuada, e a ação penal tramita na 1ª Vara Criminal Residual da Comarca de Campo Grande.

O MP também solicitou que as vítimas sejam formalmente comunicadas sobre qualquer alteração no status dos denunciados, incluindo prisão, soltura ou eventual fuga, conforme prevê a legislação.

Foragido e alvo de operação policial

Enquanto a ação penal segue em tramitação, Camilo Gandi Zahran Georges permanece foragido, sem apresentação espontânea à Justiça. Ele também figura como um dos principais alvos da Operação Castelo de Cartas, que investiga um esquema mais amplo de fraudes financeiras envolvendo empresas de fachada e movimentações milionárias.