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Idosos que batem a cabeça, como Bolsonaro, devem ficar 24 horas em observação

Especialistas ouvidos por O Contribuinte explicam protocolos clínicos para pacientes acima de 70 anos e analisam decisão que adiou exames hospitalares após queda de Jair Bolsonaro

Consultas realizadas pelo portal O Contribuinte com médicos apontam que idosos com 70 anos ou mais que sofrem queda com impacto na cabeça devem, como regra clínica, permanecer em observação por no mínimo 24 horas, mesmo quando não apresentam sintomas imediatos graves.

A orientação médica segue protocolos amplamente utilizados na prática hospitalar e se baseia no risco aumentado de hemorragias intracranianas tardias, comuns em idosos devido à fragilidade vascular, uso frequente de anticoagulantes e menor reserva neurológica.

Segundo os especialistas ouvidos pela reportagem, que pediram sigilo por medo de retaliação do ministro da Suprema Corte, Alexandre de Moraes, a tomografia computadorizada de crânio costuma ser indicada com urgência, especialmente quando o paciente apresenta fatores de risco como idade avançada, histórico cirúrgico recente ou queda acompanhada de perda de equilíbrio.

“Em pacientes com 70 anos ou mais, qualquer trauma craniano é considerado potencialmente grave. Mesmo sem sinais imediatos, o protocolo recomenda observação hospitalar por pelo menos 24 horas e exame de imagem preferencialmente nas primeiras horas após o impacto”, afirmou um médico clínico geral com atuação em pronto atendimento.

Risco de complicações tardias

Os médicos explicam que, em idosos, sangramentos cerebrais podem se manifestar horas ou até dias após a queda, o que torna perigosa a liberação precoce sem exames ou monitoramento contínuo.

“O maior erro é achar que, por o paciente estar lúcido, está tudo bem. Em idosos, o sangramento pode ser silencioso no início. Por isso, tomografia precoce e vigilância clínica contínua são fundamentais”, explicou um segundo médico, especialista em urgência e emergência, que atende na rede pública.

De acordo com os relatos, o prazo ideal para realização da tomografia varia de imediato até, no máximo, 6 a 12 horas após o trauma, dependendo do quadro clínico. Em situações envolvendo idosos com histórico médico complexo, o exame tende a ser feito o quanto antes.

Análise do caso Bolsonaro

Jair Bolsonaro completou 70 anos em março de 2025 e, sofreu uma queda com impacto na cabeça enquanto estava sob custódia da Polícia Federal. A decisão do ministro Alexandre de Moraes determinou que se aguardasse um relatório da Polícia Federal e da equipe médica vinculada à instituição antes da transferência imediata para um hospital.

Questionados sobre esse tipo de conduta, os médicos ouvidos pelo portal avaliaram o caso sob a ótica estritamente clínica, sem entrar no mérito jurídico.

“Do ponto de vista médico, tratando-se de um idoso de 70 anos que caiu e bateu a cabeça, o mais seguro é atendimento hospitalar imediato, com exames de imagem e observação. A rapidez reduz riscos e evita agravamentos”, afirmou um dos profissionais.

Outro médico ponderou que equipes médicas institucionais devem agir com celeridade, sobretudo em casos que envolvem idosos:

“Quando falamos de trauma craniano em idoso, tempo é um fator crítico. Independentemente do local de custódia, o protocolo médico não muda: avaliação rápida, exame e observação contínua.”

Critério médico x decisão administrativa

Os especialistas destacam que a decisão médica ideal nem sempre coincide com fluxos administrativos ou judiciais, mas alertam que, em situações de risco neurológico, a prioridade deve ser sempre a preservação da vida e da integridade do paciente.

A reportagem reforça que as análises apresentadas refletem exclusivamente critérios médicos gerais, não constituindo juízo legal sobre a decisão do ministro ou das autoridades envolvidas.