Durante a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) na tarde de ontem (11), no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados no chamado “plano de golpe”, o ministro Flávio Dino protagonizou uma fala considerada desastrosa. Ao criticar propostas de anistia, Dino citou a morte do ativista norte-americano Charlie Kirk, atribuindo o episódio ao suposto “perdão” ocorrido nos EUA após os atos de 6 de janeiro de 2021.
“Nos EUA houve perdão e não há paz”, disse Dino, acrescentando que “às vezes a paz se obtém pelo funcionamento adequado das instâncias repressivas do Estado”.
A declaração causou indignação e foi alvo de críticas imediatas. Primeiro, porque Charlie Kirk não morreu por causa de perdão político, mas sim vítima da escalada de violência política promovida por um extremista de esquerda nos Estados Unidos. Kirk foi assassinado justamente pelo clima de ódio e radicalização que cresce quando o debate democrático é substituído por perseguições e intolerância.
Dino, no entanto, utilizou o caso de forma enviesada para justificar sua defesa da repressão estatal no Brasil. Ao transformar uma tragédia em argumento político, o ministro expôs não apenas desconhecimento da realidade americana, mas também a tentativa de enquadrar os fatos em sua narrativa ideológica.
Em vez de reconhecer que o assassinato de Charlie Kirk se deu pela intolerância política e pelo extremismo de esquerda, o ministro preferiu culpar o “perdão” e a “falta de repressão”, defendendo mais poder punitivo do Estado.
Assim, a morte de Charlie Kirk — um crime que deveria servir de alerta contra os excessos do radicalismo político — acabou sendo manipulada em plenário do STF, numa fala infeliz que mais dividiu do que esclareceu.