O governo do Irã voltou a adotar um discurso firme em relação aos Estados Unidos e afirmou, nesta segunda-feira (27), que não pretende retomar negociações diretas com Washington, apesar de reconhecer que mensagens continuam sendo trocadas entre os dois países por intermédio de mediadores. A declaração ocorre em meio à redução das hostilidades militares, após semanas de tensão no Oriente Médio.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, negou que Teerã tenha solicitado uma nova rodada de conversas com os norte-americanos e classificou como falsas as informações que apontavam nessa direção.
Segundo ele, o Irã permanece aberto à diplomacia, mas sem abrir mão de suas posições. “Notícias sobre o Irã solicitando negociações com os EUA são fabricadas. Isso não está em nosso DNA”, declarou o porta-voz durante entrevista coletiva transmitida pela televisão estatal.
Estreito de Ormuz segue no centro da disputa
Além de descartar um novo processo de negociação, o governo iraniano reforçou que continua exercendo controle sobre o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta.
A passagem liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e concentra uma parcela significativa das exportações mundiais de petróleo e gás natural. Qualquer ameaça ao tráfego na região costuma provocar forte reação nos mercados internacionais e elevar os preços da energia.
Diplomacia permanece por canais indiretos
Embora negue a existência de negociações formais, Teerã reconhece que mensagens continuam sendo trocadas por meio de países mediadores, mantendo aberta uma via diplomática para evitar um novo agravamento da crise.
A declaração ocorre poucos dias após outras tentativas de mediação entre os dois países enfrentarem dificuldades justamente por divergências em torno do Estreito de Ormuz e de questões ligadas ao programa nuclear iraniano.
Mercado acompanha desdobramentos
As declarações do governo iraniano são acompanhadas de perto pelos mercados internacionais. Nos últimos dias, sinais de redução das hostilidades entre Estados Unidos e Irã contribuíram para a queda dos preços do petróleo, refletindo a expectativa de menor risco de interrupção no abastecimento global. Ainda assim, a manutenção do impasse diplomático mantém investidores atentos aos próximos movimentos das duas potências.