Prefeita afirma ser vítima de perseguição, violência política e de gênero há dois anos; decisão impõe série de restrições ao influenciador
A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), obteve na Justiça uma medida protetiva de urgência contra o influenciador digital e pré-candidato a deputado estadual Bruno Ortiz. A decisão foi concedida pelo Plantão Judicial da Comarca de Campo Grande após pedido formulado pelo Ministério Público Estadual.
Conforme a decisão, assinada pelo juiz Marcio Alexandre Wust, os elementos apresentados nos autos indicam a necessidade de adoção de medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha para evitar novos episódios que possam causar danos à vítima.
Entre as determinações impostas, Bruno Ortiz está proibido de se aproximar da prefeita, de seus familiares e de testemunhas, devendo manter distância mínima de 100 metros. Também fica impedido de manter contato por telefone, aplicativos de mensagens, e-mail ou qualquer outro meio de comunicação.
A decisão ainda estabelece que o influenciador não poderá frequentar a Prefeitura de Campo Grande nem participar de eventos públicos em que Adriane Lopes esteja presente na condição de prefeita. O magistrado advertiu que eventual descumprimento das medidas poderá resultar na decretação de prisão preventiva.
“Vou até as últimas consequências”, diz Adriane
Em declaração exclusiva ao O Contribuinte, Adriane Lopes afirmou que há cerca de dois anos vem sofrendo ataques que, segundo ela, deixaram de ser apenas críticas políticas e passaram a atingir sua vida pessoal e familiar.
“Fazem dois anos que eu sofro violência política, violência de gênero. Esse cara me persegue semanalmente com vídeos, com mentiras, com injúrias, difamação. A minha mãe está conseguindo síndrome do pânico, porque toda semana tem um drone sobrevoando a minha casa. Então, essa não é a única medida. Claro que eu vou até as últimas consequências criminais contra essa pessoa”, declarou.
Segundo a prefeita, os episódios começaram durante o período eleitoral e se intensificaram ao longo dos últimos anos. Ela afirma que inicialmente optou por não judicializar a situação por entender que os ataques faziam parte do embate político, mas decidiu buscar proteção judicial ao concluir que as ações passaram a atingir sua esfera privada.
Drones e alegação de perseguição
Um dos pontos centrais apresentados pela prefeita é a utilização frequente de drones nas proximidades de sua residência e de familiares.
Adriane sustenta que os sobrevoos deixaram de representar atividade relacionada à fiscalização ou crítica política e passaram a configurar uma situação de intimidação e perseguição.
De acordo com seu relato, a situação também provocou impactos dentro da própria família. A prefeita afirma que sua mãe desenvolveu síndrome do pânico em razão da recorrência dos episódios envolvendo drones sobrevoando a região onde reside.
Na decisão, o magistrado destacou a necessidade de adoção imediata das medidas para prevenir danos considerados graves e de difícil reparação, mantendo as restrições até o encerramento do processo principal.
Manifestação de Bruno Ortiz
Após a divulgação da decisão, Bruno Ortiz se manifestou nas redes sociais. Sem comentar diretamente o conteúdo da medida protetiva, o influenciador publicou uma fotografia em que aparece com um esparadrapo sobre a boca, em uma aparente crítica à decisão judicial.
