Júnior Vasconcelos virou réu no suposto esquema de R$ 27 milhões. Investigação aponta Pix da Editora Avante, conversas sobre divisão de valores e citações ao então chefe político do ex-prefeito.
A Justiça de Mato Grosso do Sul manteve a prisão do ex-prefeito de Fátima do Sul Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Júnior Vasconcelos, um dos réus da Operação Gutenberg.
A decisão foi proferida pela 2ª Vara Criminal de Competência Residual de Campo Grande, que negou o pedido de revogação da prisão preventiva. Ao fundamentar a decisão, o magistrado afirmou que a manutenção da custódia é necessária “para garantia da ordem pública”.
Júnior, que atualmente é escrivão da Polícia Civil e foi afastado do cargo após a operação, tornou-se réu nesta semana depois que a Justiça recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul.
Segundo o Gaeco, ele integra o grupo investigado por um suposto esquema que teria movimentado cerca de R$ 27 milhões por meio de contratos da Editora Avante com prefeituras de Mato Grosso do Sul.
Ex-assessor de Jamilson Name
Além de ex-prefeito de Fátima do Sul, Júnior Vasconcelos também atuou como assessor parlamentar do deputado estadual Jamilson Name (PP), permanecendo lotado no gabinete do parlamentar durante parte do período analisado pela investigação.
Ao longo da cobertura exclusiva da Operação Gutenberg, O Contribuinte revelou que o nome de Júnior aparece repetidamente nas conversas extraídas dos celulares dos investigados.
Segundo o relatório do Gaeco, ele é citado em tratativas envolvendo contratos de livros, percentuais, negociações com prefeituras e divisão de valores.

Pix da Editora Avante
Outro ponto destacado pelo Ministério Público é uma transferência bancária identificada durante a quebra dos sigilos financeiros.
Segundo a investigação, Júnior Vasconcelos recebeu um Pix de R$ 22,5 mil da Editora Avante logo após a empresa receber recursos públicos provenientes da Prefeitura de Rio Negro.
A transferência integra o conjunto de movimentações financeiras analisadas pelo Gaeco para reconstruir o caminho do dinheiro supostamente distribuído após os pagamentos efetuados por prefeituras.
O relatório não apresenta, nesse trecho, justificativa contratual para a transferência, questão que será debatida durante a ação penal.
As conversas envolvendo Júnior
O nome de Júnior aparece diversas vezes nas mensagens reproduzidas pelo Ministério Público.
Em um dos diálogos já revelados por O Contribuinte, Ed Carlo Britto Burgatt pergunta:
“Os 5% meu e 5 do JR estão garantidos?”
Em outra conversa, investigados discutem a divisão de R$ 156.653,25, fracionada em três partes iguais:
R$ 52.217,75 para “DEP”;
R$ 52.217,75 para “EC”;
R$ 52.217,75 para “JR”.
Segundo apuração exclusiva de O Contribuinte, o Gaeco trabalha com a hipótese de que a sigla “JR” faz referência a Júnior Vasconcelos, enquanto “EC” corresponderia a Ed Carlo Britto Burgatt.
Também conforme apuração exclusiva da reportagem, a investigação passou a trabalhar com a hipótese de que a referência “DEP” nas mensagens seria ao deputado estadual Jamilson Name, então chefe político de Júnior. Essa interpretação integra a linha investigativa do Ministério Público e ainda depende da produção de provas ao longo da ação penal. O deputado nega envolvimento com qualquer irregularidade.
Em outro trecho já divulgado, Ed Carlo afirma:
“Vou entregar pro Dep.”
Essas conversas integram o conjunto de provas reunidas pelo Gaeco e serão submetidas ao contraditório durante o processo.
O que diz a investigação
Segundo o Ministério Público, Júnior Vasconcelos não aparece apenas como destinatário de recursos.
O relatório o coloca em conversas sobre andamento de contratos, negociações com municípios e articulações relacionadas às vendas de livros da Editora Avante.
Para o Gaeco, esses elementos, somados às movimentações financeiras, às quebras de sigilo e às mensagens extraídas dos aparelhos celulares, justificaram a denúncia agora recebida pela Justiça.
O que é a Operação Gutenberg?
Deflagrada em julho de 2026, a Operação Gutenberg investiga uma suposta organização criminosa acusada de movimentar aproximadamente R$ 27 milhões por meio de contratos de livros paradidáticos firmados com prefeituras de Mato Grosso do Sul.
Segundo o Ministério Público, integrantes do grupo utilizavam a Editora Avante para direcionar contratações públicas e, em alguns casos, se valiam da estrutura da Regulação Estadual da Saúde para influenciar gestores municipais. A investigação também apura crimes como organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro.
Quem são os principais réus
Além de Júnior Vasconcelos, respondem à ação penal nomes apontados pelo Gaeco como integrantes do suposto esquema, entre eles Rossana Paroschi Jafar, Ed Carlo Britto Burgatt, Gabriel Taquino de Paula, Francisco Anízio dos Santos, Heyder Bartz, que permanece foragido, além de empresários, ex-servidores públicos e integrantes da família Jafar.
Todos os denunciados têm direito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência durante o andamento da ação penal.