Réu por fraudes no Detran-MS, David Chita deixa prisão e passa a usar tornozeleira eletrônica
A Justiça de Mato Grosso do Sul revogou a prisão preventiva do despachante David Cloky Hoffaman Chita, apontado como operador de esquemas de fraude dentro do Detran-MS. Ele, que já chegou a acusar o deputado federal Beto Pereira (Republicanos) de chefiar um suposto esquema de corrupção, agora responderá ao processo em liberdade, sob monitoramento eletrônico.
A decisão é da juíza Eucelia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal de Competência Residual. Pelo despacho, Chita deverá usar tornozeleira eletrônica por seis meses, além de cumprir uma série de restrições — entre elas, a proibição de frequentar o Detran e manter contato com outros investigados ou servidores do órgão.
Segundo apuração, o equipamento já foi instalado.
Esquema bilionário e mais de 4 mil fraudes
O nome de David Chita aparece no centro de um amplo esquema investigado pelo Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), que apura a liberação irregular de veículos com restrições administrativas.
Um relatório recente da Corregedoria do Detran-MS aponta mais de 4 mil fraudes entre 2020 e 2024, com indícios de novos casos envolvendo o despachante.
De acordo com a investigação, Chita atuava em conjunto com a ex-servidora Yasmin Osório Cabral, que recebia propina para realizar baixas clandestinas no sistema do órgão. Em troca, ela teria recebido dinheiro via Pix, além de presentes de alto valor — como um iPhone 15 Pro Max, joias, televisão e até ar-condicionado.
Único preso no processo
Até então, Chita era o único réu preso nesta fase do processo. Yasmin chegou a ficar detida por dois meses, mas responde em liberdade desde o ano passado.
Além deles, também são réus os despachantes Hudson Romero e Edilson Cunha.
O processo segue em fase de instrução, com audiências para oitiva de testemunhas. No último dia 14 de abril, foram ouvidas testemunhas de defesa do despachante.
Acusações, política e delação frustrada
O caso ganhou forte repercussão política após o próprio Chita afirmar, em entrevista ao Jornal Midiamax, que os “verdadeiros chefões” do esquema estariam sendo protegidos.
Na ocasião, ele apontou diretamente o deputado federal Beto Pereira como líder da suposta organização criminosa. O parlamentar sempre negou qualquer envolvimento.
O despachante chegou a dizer que possuía provas e que sua delação poderia atingir políticos, servidores, empresários e até delegados de polícia.
A denúncia foi formalizada junto ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), mas, por envolver um deputado federal, acabou sendo enviada à Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília.
O caso, no entanto, foi arquivado por “ausência de elementos”.
Histórico de denúncias e suspeita de blindagem
As suspeitas de corrupção no Detran-MS não são recentes. Ainda em 2020, investigações jornalísticas já apontavam irregularidades no sistema do órgão — posteriormente confirmadas pela Operação Gravame.
Apesar disso, há críticas recorrentes sobre uma possível blindagem de figuras políticas, o que mantém o caso sob forte atenção pública e pressão por desdobramentos.
Agora em liberdade, ainda que monitorado, David Chita retorna ao centro de um dos maiores escândalos recentes envolvendo o Detran-MS — com impactos que vão além da esfera criminal e atingem diretamente o cenário político do Estado.