Enquanto parte do debate político na Câmara Municipal se concentrou nos últimos dias na votação do veto ao projeto que barrava o aumento da taxa do lixo, o vereador Landmark Rios (PT) manteve uma intensa agenda voltada às favelas, à reforma agrária e à defesa das assistentes de educação infantil.
Desde novembro do ano passado, quando convocou audiência pública para discutir regularização das favelas de Campo Grande, Landmark passou a intensificar uma série de agendas institucionais envolvendo Judiciário, IBGE, Correios, Defesa Civil, Cruz Vermelha e lideranças comunitárias. A mobilização culminou na articulação que levou Guilherme Boulos, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República no governo Lula, à Cidade dos Anjos, dando visibilidade nacional às condições enfrentadas por moradores que vivem há anos sem infraestrutura adequada.
Na última terça-feira (10), o vereador viajou a Brasília para dar continuidade às tratativas técnicas com o Ministério das Cidades e com a bancada federal, buscando viabilizar recursos para habitação popular. A agenda, segundo ele, foi previamente marcada e teve como foco retirar famílias de barracos e garantir moradia digna.
Além disso, Landmark tem atuado em pautas ligadas à reforma agrária e à agricultura familiar, com visitas a acampamentos, apoio a ações de formação agroecológica e defesa da regularização fundiária. Também acompanhou reuniões no Incra e passou a defender a reestruturação do chamado Cinturão Verde, como política estratégica de produção alimentar e geração de renda.
Recentemente, o vereador assumiu protagonismo na crise envolvendo as assistentes de educação infantil. Desde o início do ano, participou de reuniões com o sindicato da categoria e foi o responsável por convocar audiência pública na sexta-feira da semana passada, abrindo espaço institucional para que as trabalhadoras apresentassem denúncias e reivindicações, como aumento salarial, realização de concursos e vale alimentação.
“Se a política não olhar para quem ninguém enxerga, ela perde o sentido. Favela, acampamento, agricultor familiar e trabalhadora da educação infantil precisam de presença real, não só de discurso”, afirmou. O parlamentar ressalta ainda que, diferente de colegas do Partido dos Trabalhadores, tem procurado dar voz e visibilidade aos vulneráveis o tempo todo, não só em período eleitoral. “Desde o ano passado temos percorrido as favelas e buscado ferramentas para reduzir as desigualdades”.
Veto da taxa do lixo, projeto do IPTU e divergências internas
A ausência de Landmark na votação do veto da prefeita ao projeto que barrava o aumento da taxa do lixo gerou desgaste político. Diferentemente do que circulou nas redes sociais, não houve votação do IPTU, mas sim a apreciação do veto ao projeto aprovado anteriormente pela Câmara.
A matéria havia sido adiada em duas sessões anteriores. Nas ocasiões, Landmark esteve presente no plenário e declarou publicamente que votaria pela derrubada do veto. O adiamento ocorreu após pedido da vereadora Luiza Ribeiro, que solicitou audiência antes da votação, o que foi acatado pela Presidência.
Quando o veto finalmente foi pautado, a votação coincidiu com a agenda do vereador em Brasília. Ao todo, seis parlamentares não votaram, e o veto foi mantido por diferença mínima.
Outro ponto de divergência envolve o projeto protocolado por Landmark no dia 12 de dezembro do ano passado, propondo desconto de 20% no IPTU como medida de alívio ao contribuinte. A proposta não contou com articulação ampliada dentro da bancada e acabou não avançando.