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Lideranças de direita de MS reagem ao pedido da PGR contra Bolsonaro; veja

A manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, protocolada ontem (14) no Supremo Tribunal Federal, pedindo a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 43 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, gerou forte reação entre lideranças da direita em Mato Grosso do Sul. Nesta segunda-feira (15), diversos nomes ligados ao bolsonarismo se pronunciaram publicamente, criticando o que consideram uma perseguição implacável ao ex-chefe do Executivo federal.

O pedido da PGR é resultado do inquérito que apura suposta conspiração para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022. Segundo a Procuradoria, Bolsonaro teria incitado a ruptura institucional ao convocar reuniões com militares e redigir minuta de decreto de estado de sítio.

“Narrativa forjada”

O deputado federal Rodolfo Nogueira (PL) classificou a medida como mais um capítulo da “clara e contínua perseguição política à direita no Brasil”. Para ele, o objetivo do sistema é eliminar não apenas Bolsonaro, mas todo o movimento conservador que ele representa.

“Mais um capítulo da clara e contínua perseguição política à direita no Brasil. O objetivo é evidente: eliminar Bolsonaro e o movimento que ele representa, algo já admitido por membros do próprio sistema.

O país nunca teve uma direita organizada e com expressão nacional. Bolsonaro preencheu esse vácuo, tornando-se o maior líder político da nossa história recente. Por isso, tentam, a qualquer custo, silenciá-lo e desarticular sua base.

Estamos diante de um cenário preocupante: narrativas forjadas sobre um “golpe sem armas”, tentativas de controle das redes sociais, e perseguições fora do controle. O Estado de Direito está sendo corroído, e vivemos uma realidade de exceção.

Apesar do caos institucional, não nos calaremos. Pois a eleição sem Bolsonaro é o verdadeiro golpe na democracia”, comentou Rodolfo.

A vice-prefeita de Dourados e esposa de Rodolfo, Gianni Nogueira, seguiu na mesma linha e afirmou que a acusação carece de provas e é baseada em delações “desmentidas”.

“O pedido de condenação de Bolsonaro pela PGR é uma ficção jurídica, sem provas ou indícios de golpe. Baseia-se numa delação já desmentida e ignora princípios como o in dubio pro reo. Em vez de justiça, vemos perseguição política contra quem sempre defendeu a Constituição e a liberdade do povo.

Não há crime em pedir transparência ou defender o voto auditável, isso é democracia. O que não é democrático é usar o Judiciário como arma política para tentar calar e banir das eleições o maior líder popular do Brasil. Se querem enfrentá-lo, que seja nas urnas”, completou Gianni.

“Faz-me rir”, diz Coronel David

Já o deputado estadual Coronel David (PL) ironizou a acusação, chamando o processo de “julgamento de cartas marcadas”.

“Para surpresa de zero pessoas a PGR fez aquilo que todos nós já esperávamos. E essa afirmação é decorrente da percepção que este é um julgamento de cartas marcadas. Se não houvesse a inclusão do viés político que alimentou todo o andamento do processo o resultado seria a absolvição do Bolsonaro e de outros. Golpe de Estado? Faz-me rir”, comentou o deputado.

Outro parlamentar estadual, João Henrique Catan (PL), criticou duramente a PGR, sugerindo que a atuação do órgão é seletiva.

“É evidente que se trata de uma perseguição implacável contra o presidente Bolsonaro! E tudo baseado, apenas, em suposições infundadas. Vamos lá: o que esta mesma PGR diz sobre o escândalo bilionário do INSS envolvendo o ex-ministro do Lula, Carlos Lupi? Roubar – descaradamente – aposentados pode? Essa mesma PGR quer condenar Jair Bolsonaro a 43 anos de prisão por um “golpe” que nunca existiu – sem armas, sem ordem, validando delações vazias de provas reais. Este é o Brasil que a PGR, o STF e o atual presidente forjam: da mentira!”, disse o deputado.

“Golpe sem tanques não existe”, diz Capitão Contar

O ex-deputado estadual e ex-candidato ao governo de MS, Capitão Renan Contar (PRTB), lamentou o que chamou de criminalização de posições políticas. Contar destacou que respeita as instituições, mas acredita que há uma condução enviesada dos processos contra Bolsonaro.

“Respeito as instituições, mas não posso deixar de lamentar a condução política que tem sido dada a muitos desses processos. Bolsonaro foi escolhido por mais de 58 milhões de brasileiros e sempre defendeu a Constituição, a ordem e a democracia.

Infelizmente, vivemos um momento em que posições políticas estão sendo criminalizadas, e isso é perigoso para todos. Chamar de golpe um episódio sem armas, sem tanques, com o presidente fora do país, é um absurdo. Golpe não se faz com patriotas cantando o hino. Isso não é justiça, é perseguição política. Contar destacou que respeita as instituições, mas acredita que há uma condução enviesada dos processos contra Bolsonaro.

Não cabe a mim julgar, mas sim ao povo refletir sobre o que estamos vivendo. O que eu defendo, e sempre vou defender, é o devido processo legal, o contraditório e o respeito às liberdades individuais, inclusive à liberdade de expressão e de pensamento.”, comentou Contar.

Tentativa de criminalizar a oposição”, diz Cassy.

A ex-candidata a vereadora e primeira suplente do PL na capital, Cassy Monteiro, avaliou que o processo representa uma tentativa de “transformar opositores em inimigos do regime”. Segundo ela, defender os direitos do ex-presidente é uma forma de preservar o equilíbrio institucional e a integridade do sistema democrático brasileiro.

“Desde o processo eleitoral, vivemos um clima de crescente insegurança jurídica e desequilíbrio institucional. Acusar o ex-presidente Jair Bolsonaro de tentativa de golpe de Estado, sem apresentar provas materiais claras de comando armado ou articulação efetiva para ruptura democrática, é um grave salto narrativo. O que se vê é a tentativa de criminalizar manifestações políticas legítimas e transformar opositores em inimigos do regime. Mais grave ainda é o processo marcado por vícios de parcialidade, com agentes que atuam como vítima, acusador e julgador ao mesmo tempo — ferindo o devido processo legal. Defender os direitos do ex-presidente é, também, defender o equilíbrio institucional e a integridade do nosso sistema democrático”, comentou.

Vereadora Ana Portela vê perseguição política 

A vereadora de Campo Grande, Ana Portela (PL), se manifestou classificando a ação como uma “perseguição política”. Em publicação nas redes sociais, Portela afirmou que o pedido de prisão por tentativa de golpe ignora problemas reais do país. “A PGR quer prender Bolsonaro por ‘tentativa de golpe’, enquanto ignora a corrupção, a censura e o caos do governo atual”, escreveu.

Ela ainda afirmou que a ação tem como objetivo afastar Bolsonaro do cenário político. “Querem eliminar o principal nome da oposição no tapetão. Isso não é justiça, é perseguição política!”, completou a parlamentar.

Silêncio de outras lideranças

Até o fechamento desta reportagem, a senadora Tereza Cristina (PP), os deputados federais Marcos Pollon (PL) e Luiz Ovando (PP), além dos vereadores da Câmara de Campo Grande, André Salineiro (PL) e Rafael Tavares (PL), não haviam se pronunciado sobre a manifestação da PGR. O espaço segue aberto para manifestação das lideranças citadas.