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Liquidação do Banco Master vira alvo de inspeção urgente do TCU

O Tribunal de Contas da União (TCU) elevou o tom contra o Banco Central ao demonstrar insatisfação com as explicações prestadas sobre a liquidação do Banco Master. Em despacho recente, o ministro Jhonatan de Jesus deixou claro que o órgão de controle não considera o assunto encerrado e passou a admitir, de forma explícita, a adoção de uma medida cautelar contra a autoridade monetária.

A decisão marca um novo capítulo no embate institucional e indica que o TCU pretende avançar sobre o processo decisório que levou à liquidação da instituição financeira. Segundo o relator, não basta a versão institucional apresentada até agora: é necessário reconstruir, passo a passo, o caminho das decisões tomadas pelo Banco Central para verificar se elas foram devidamente fundamentadas, coerentes e proporcionais.

Para isso, o ministro determinou a realização de uma inspeção aprofundada, em caráter de urgência. O objetivo é avaliar se houve omissão, demora injustificada ou falhas na reação do regulador diante de sinais claros de deterioração financeira do banco. O TCU avalia que decisões mal calibradas, em um caso de grande porte e com passivos relevantes, podem gerar efeitos em cadeia no sistema financeiro e pressionar diretamente o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Embora ressalte que não pretende substituir o Banco Central em seu juízo técnico, o tribunal deixou evidente que quer verificar se o processo foi conduzido de forma adequada e dentro dos limites da boa governança pública. O despacho aponta preocupação com a possibilidade de que atos já praticados durante a liquidação acabem esvaziando o controle externo antes mesmo da conclusão da análise do TCU.

Um dos pontos mais sensíveis sob investigação envolve alternativas privadas à liquidação. O tribunal quer saber se soluções que envolviam o FGC e potenciais compradores foram realmente analisadas com profundidade ou descartadas de maneira apressada. Essa avaliação ganha ainda mais peso diante do impacto que uma liquidação abrupta pode ter não apenas sobre correntistas e credores, mas sobre a confiança no sistema financeiro como um todo.

Outro foco central da apuração é o período imediatamente anterior à decisão final, nos dias 17 e 18 de novembro de 2025. O TCU pretende esclarecer se propostas apresentadas às vésperas da liquidação receberam a atenção necessária ou se foram deixadas de lado em um contexto de decisões rápidas e de difícil reversão.

O despacho também chama atenção para reportagens que indicaram possíveis divergências internas entre diretores do Banco Central durante a condução do caso. Para o relator, eventuais posições técnicas conflitantes, se não devidamente registradas, enfrentadas e justificadas, podem comprometer a credibilidade, a coerência e a transparência das decisões do regulador.

Como parte da inspeção, o TCU solicitou acesso direto a documentos internos do Banco Central, incluindo notas técnicas, pareceres, registros de reuniões e deliberações colegiadas. A partir desse material, o tribunal quer verificar se a autoridade monetária atuou no tempo correto, se avaliou alternativas menos drásticas e se a liquidação foi, de fato, a única saída possível.

O movimento do TCU escancara o desconforto do órgão de controle com a condução do caso Banco Master e reforça a conotação política e institucional que a liquidação passou a assumir. O embate, agora explícito, coloca em rota de colisão dois pilares do Estado e promete novos desdobramentos.