Com 2026 no radar e eleição polarizada no horizonte, presidente prioriza São Paulo e articula palanque competitivo para enfrentar Tarcísio de Freitas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já tomou a decisão: a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, deixará a Esplanada para disputar o Senado por São Paulo nas eleições de 2026. O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla do Palácio do Planalto para fortalecer o palanque no maior colégio eleitoral do país, considerado decisivo em uma eleição que caminha para ser novamente polarizada.
A definição ocorre após Lula convencer o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a entrar na disputa pelo governo paulista. Depois de meses resistindo à ideia, Haddad cedeu ao apelo do presidente e deve deixar o ministério até o início de abril para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes.
Com Haddad no governo e Simone no Senado, Lula estrutura uma chapa considerada competitiva para enfrentar o atual governador Tarcísio de Freitas, que tem apresentado bom desempenho administrativo e aparece bem posicionado nas pesquisas. O Planalto avalia que São Paulo será peça-chave na disputa presidencial e, por isso, exige um palanque robusto e unificado.
Mudança de partido e saída do MDB
Para viabilizar a candidatura em São Paulo, Simone Tebet deverá deixar o MDB, partido ao qual esteve filiada por décadas. A legenda caminha para apoiar a reeleição de Tarcísio no estado, o que inviabiliza sua permanência. O destino mais provável é o PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, consolidando ainda mais a aliança governista no estado.
Além da troca partidária, Simone precisará transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo dentro do prazo legal. A movimentação já é tratada como praticamente consolidada nos bastidores de Brasília.
Há ainda a possibilidade de composição de uma chapa ao Senado com outro nome de peso da Esplanada, formando um trio ministerial na disputa paulista, cenário que reforça o grau de prioridade que Lula atribui ao estado.
Estratégia nacional
O desenho em São Paulo não é isolado. Lula também trabalha para consolidar palanques fortes em Minas Gerais, outro dos maiores colégios eleitorais do país, além de monitorar de perto o cenário no Rio Grande do Sul e na Bahia. A avaliação interna é que a eleição de 2026 será definida nos principais centros eleitorais, exigindo articulação antecipada e candidaturas com densidade política.
Ao encaminhar Haddad ao governo paulista, Lula também projeta o ministro da Fazenda como herdeiro político dentro do PT para o pós-2030, fortalecendo seu capital eleitoral em uma disputa majoritária de alta visibilidade.
Impacto em Mato Grosso do Sul
Para Mato Grosso do Sul, a decisão representa a saída definitiva de Simone Tebet do tabuleiro eleitoral local. Ex-senadora pelo estado e ex-prefeita de Três Lagoas, Simone construiu sua trajetória política no MS antes de ganhar projeção nacional na eleição presidencial de 2022 e, posteriormente, assumir ministério no governo Lula.
Eleição polarizada no horizonte
O pano de fundo de toda a movimentação é um cenário nacional que aponta para mais uma disputa polarizada entre campos ideológicos bem definidos. Em São Paulo, onde Tarcísio desponta como liderança consolidada da direita, Lula aposta na força do governo federal, na capilaridade partidária e no peso político de seus ministros para equilibrar o jogo.
O martelo está batido. Agora, o que se desenha é uma corrida estratégica nos maiores colégios eleitorais do país, com São Paulo no centro do tabuleiro e Simone Tebet assumindo papel decisivo na engrenagem eleitoral de 2026.