Investigada pela Polícia Federal e apontada como amiga de Lulinha, Roberta Luchsinger desativou seus perfis depois que Lula negou qualquer proximidade com ela durante a sabatina da TV Globo.
Na primeira grande entrevista da campanha presidencial ao Jornal Nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou afastar do Palácio do Planalto um dos nomes que mais têm provocado desgaste político ao governo: a empresária e lobista Roberta Luchsinger.
Durante a sabatina conduzida por César Tralli e Renata Vasconcellos, na noite de quinta-feira (28), Lula negou conhecer Roberta e classificou a empresária como uma “pilantra”, ao responder perguntas sobre as investigações da Polícia Federal envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
A declaração foi feita em rede nacional e marcou a primeira vez que o presidente tratou diretamente do nome da lobista diante do eleitorado.
Poucas horas depois, surgiu um novo movimento que ampliou ainda mais a crise.
Roberta desativa perfis após entrevista de Lula
Após a repercussão da entrevista, Roberta Luchsinger desativou seus perfis nas redes sociais.
Segundo pessoas próximas à empresária, a decisão ocorreu depois da intensa exposição pública de fotografias antigas ao lado de Lula, de integrantes do governo e de outras autoridades, utilizadas por opositores para questionar a versão apresentada pelo presidente durante a sabatina.
A defesa da empresária informou que ela passou a sofrer ataques nas redes sociais e que levou o caso ao Supremo Tribunal Federal.
O recuo digital aconteceu justamente quando as investigações envolvendo Roberta passaram a ganhar dimensão nacional.
A empresária é investigada pela Polícia Federal em apurações relacionadas a suposto tráfico de influência e negociações envolvendo o Ministério da Saúde, além de aparecer em conversas atribuídas ao relatório da PF sobre a relação com Lulinha e integrantes do governo.
Lula disse que não conhecia Roberta
Na entrevista ao Jornal Nacional, Lula procurou estabelecer distância completa da empresária.
Ao responder às perguntas dos jornalistas, afirmou que não tinha relação com Roberta e a classificou de forma dura.
A estratégia da campanha foi tentar separar completamente o presidente das investigações envolvendo a lobista.
O problema é que, logo após a entrevista, voltou a circular uma série de imagens antigas mostrando Roberta em eventos políticos ao lado de Lula.
Segundo levantamentos divulgados por opositores, já foram localizadas ao menos 18 fotografias em que a empresária aparece ao lado do presidente em diferentes momentos ao longo dos últimos anos.
Além das imagens, vídeos antigos também reapareceram nas redes sociais.
Em um deles, Roberta afirma:
“Quem conversa com Lula se apaixona.”
Em outra declaração gravada anteriormente, ela diz:
“A minha luta ao lado do Lula é antiga.”
O material passou a ser utilizado por adversários do governo para contestar a afirmação feita por Lula durante a sabatina.
Fotos antigas aumentam pressão sobre o Planalto
As fotografias mostram Roberta em diferentes ocasiões públicas envolvendo o presidente.
A existência das imagens, por si só, não comprova uma relação pessoal ou de amizade íntima entre Lula e a empresária.
Também não demonstra participação do presidente nos negócios investigados pela Polícia Federal.
O que elas fazem é alimentar o debate político sobre a intensidade da proximidade entre os dois e sobre a estratégia adotada pelo Planalto de negar qualquer vínculo.
Esse contraste se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais após o Jornal Nacional.



O caso envolve Lulinha e Ministério da Saúde
Roberta Luchsinger aparece no centro de diversas investigações da Polícia Federal.
Mensagens atribuídas ao relatório da PF mostram a empresária dizendo manter sociedade com Fábio Luís Lula da Silva e afirmando que ambos eram “uma coisa só”.
Também aparecem conversas em que Roberta afirma que Lula teria lhe oferecido a possibilidade de escolher onde gostaria de atuar no governo, versão apresentada pela própria empresária em diálogos privados.
Outro trecho da investigação aponta que Roberta encaminhou ao ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, uma minuta relacionada a um contrato milionário de medicamentos à base de canabidiol para o Ministério da Saúde.
O negócio poderia alcançar R$ 626 milhões, segundo informações reveladas por O Globo.
Esses elementos transformaram Roberta em um dos principais focos de desgaste político da campanha de Lula.
Campanha tenta estancar crise
A entrevista do Jornal Nacional foi planejada pela campanha para responder às principais acusações envolvendo o presidente e seu entorno.
Mas a reação nas horas seguintes mostrou que o caso Roberta Luchsinger está longe de ser encerrado.
Em vez de desaparecer da campanha, o nome da empresária ganhou ainda mais espaço após Lula negar qualquer proximidade e chamá-la de “pilantra”.
Agora, além das investigações conduzidas pela Polícia Federal, o Planalto enfrenta uma disputa política sobre versões, fotografias, vídeos antigos e o histórico da relação entre Roberta, Lulinha e pessoas próximas ao presidente.