A abertura da Cúpula do Mercosul aconteceu na manhã deste sábado (20), em Foz do Iguaçu (PR). No discurso de abertura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou que uma intervenção armada dos Estados Unidos (EUA) na Venezuela seria uma “catástrofe humanitária”.
A fala do presidente surge em meio à escalada de tensão entre os dois países. Um “precedente perigoso para o mundo”, acrescentou Lula. O governo do Brasil, país vizinho da Venezuela, teme uma crise humanitária na fronteira.
“Os limites do direito internacional estão sendo testados”, completa o presidente. A Cúpula cria expectativas sobre as declarações dos demais líderes sobre o tema.
Pressão dos EUA
Na terça-feira (16), Donald Trump, presidente dos EUA, anunciou em suas redes sociais que o país iniciaria um cerco aos navios petroleiros da Venezuela.
Assim, apenas embarcações ligadas à petrolífera americana Chevron têm permissão para navegar em águas venezuelanas.
A ameaça de conflito perdura desde agosto, quando Washington movimentou aparato militar no Caribe. No início, a Casa Branca justificou a operação como parte do combate ao tráfico internacional de drogas.
Cúpula do Mercosul
Iniciado nessa sexta-feira (19), o encontro da Cúpula do Mercosul reunirá chefes de Estado dos países que compõem o bloco. As expectativas eram de que o acordo comercial com a União Europeia, feito há 25 anos, fosse assinado.
Porém, a França e a Itália pediram o adiamento da votação do acordo no Conselho Europeu, que reúne os chefes de Estado do continente. Com isso, o tratado foi barrado e a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, foi impedida de assiná-lo.
O principal impasse para o adiamento é a pressão de agricultores europeus, que protestaram na última semana contra o acordo. Eles temem que a entrada de produtos sul-americanos no continente afete negativamente seus negócios.
França, Itália, Hungria e Polônia lideram a oposição à assinatura. Porém, outros negócios devem ser estabelecidos nas áreas de segurança, financiamento e energia, com países como Emirados, Canadá e Japão.
Neste sábado (20), os líderes da Argentina (Javier Milei), do Uruguai (Yamandú Orsi), do Paraguai (Santiago Peña), e do Panamá (José Raúl Mulino) se reúnem para o encontro. Rodrigo Paz, recém-eleito na Bolívia, será o único líder ausente.