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Lula enfrenta obstáculos para “bondades” eleitorais em 2026

Com a proximidade das eleições de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta um cenário político cada vez mais restritivo no Congresso Nacional, que tem se mostrado menos permeável às tradicionais estratégias de distribuição de verbas e “bondades” eleitorais. A combinação de uma base aliada fragmentada, pressões fiscais e um centrão fortalecido, liderado por figuras como Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), está limitando a margem de manobra do governo para implementar medidas populistas que poderiam impulsionar a campanha à reeleição ou fortalecer aliados nas disputas estaduais e municipais.

Nos últimos meses, o Congresso tem adotado uma postura mais assertiva, dificultando a aprovação de projetos que demandem grandes gastos públicos. A aprovação da PEC do Quinquênio, que garantiu reajustes para carreiras jurídicas, e a resistência a medidas como a reoneração da folha de pagamento de setores econômicos mostram que deputados e senadores estão priorizando interesses próprios e regionais, em vez de ceder às pressões do Planalto. A articulação de Lira, que comanda a Câmara até o fim de seu mandato em 2026, tem sido central nesse movimento: ele ampliou o controle sobre as emendas parlamentares, que hoje superam R$ 40 bilhões anuais, reduzindo a dependência de deputados em relação às promessas do Executivo.

Além disso, o cenário fiscal é um entrave significativo. Após o ajuste promovido pela equipe econômica de Fernando Haddad, com medidas como o arcabouço fiscal e a contenção de gastos discricionários, o governo enfrenta dificuldades para liberar recursos extras sem violar metas fiscais. Programas sociais, como o Bolsa Família, já consomem fatias expressivas do orçamento, e novas “bondades” – como aumentos de benefícios ou subsídios – podem esbarrar em críticas de irresponsabilidade fiscal, especialmente em um contexto de juros altos e inflação persistente. O Banco Central, sob Roberto Campos Neto até o fim de 2025, também tem sinalizado pouca tolerância a pressões inflacionárias derivadas de gastos públicos desenfreados.

Outro fator complicador é a composição do Congresso, que, desde 2022, mantém um perfil mais conservador e fragmentado. Partidos como PL, PP e Republicanos, que cresceram nas últimas eleições, têm agendas próprias e nem sempre alinham-se automaticamente ao governo, mesmo em troca de cargos ou verbas. O PSD de Kassab, embora aliado, também busca se posicionar como independente, especialmente com Pacheco cotado para o STF ou o governo de Minas Gerais. Esse cenário contrasta com os mandatos anteriores de Lula, quando o PT conseguia costurar alianças mais amplas com base em liberações orçamentárias generosas.

Do lado do governo, a estratégia para 2026 depende de recuperar espaço político. Lula tem investido em agendas sociais, como a ampliação de programas de transferência de renda, e em obras de infraestrutura via PAC, mas a execução dessas iniciativas enfrenta entraves logísticos e resistência no Legislativo. Fontes do Planalto indicam que o presidente pode tentar emplacar medidas de impacto, como isenções fiscais ou reajustes no salário mínimo acima da inflação, mas isso exigiria negociações complexas com o Congresso, que já sinaliza exigir contrapartidas, como maior influência em nomeações ministeriais ou no Judiciário.

Para analistas, o fechamento das portas do Congresso reflete um cálculo político: deputados e senadores, de olho nas próprias reeleições, querem evitar a percepção de submissão ao Planalto, especialmente em um cenário de polarização com a oposição bolsonarista. Assim, Lula terá de navegar com habilidade para equilibrar promessas eleitorais com a realidade fiscal e política, sob o risco de ver sua influência diminuir em um ano crucial. O futuro do governo dependerá de sua capacidade de negociar com um Congresso que, mais do que nunca, sabe o poder que tem nas mãos.