Em uma decisão que acirra a já tensa relação com o núcleo de sustentação política no Congresso, o presidente Lula confirmou através de seu líder no Senado, Jacques Wagner, que indicará o advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A nomeação, no entanto, é uma clara afronta ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que era contra a escolha e esperava ser consultado.
O episódio revela uma estratégia de confronto do Planalto no momento em que o governo mais precisa de aliados. A vaga em questão é de ministro aposentado do STF, Ricardo Lewandowski, e a indicação de Messias é vista como uma forma de Lula consolidar um nome de confiança na Corte. No entanto, o método escolhido – a imposição sem o diálogo esperado pela cúpula do Senado – coloca em risco a própria aprovação do indicado.
Alcolumbre, figura central do chamado Centrão, não escondeu seu descontentamento. Como presidente da Casa, ele comanda a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), responsável por sabatinar o indicado, e o plenário, que dá a palavra final. A falta de consulta prévia é interpretada como um desrespeito ao cargo e ao poder de barganha do Centrão, que historicamente espera participação em indicações dessa magnitude.
A crise ocorre em um contexto delicadíssimo. O governo Lula tem sofrido derrotas seguidas no Congresso, justamente pela fragilidade de sua base, e depende da boa vontade de Alcolumbre e de seu aliado, o presidente da Câmara, Arthur Lira, para viabilizar sua agenda. A insistência em nomear Messias contra a vontade de uma peça-chave como Alcolumbre é um risco calculado que pode sair pela culatra, travando ainda mais a governabilidade.
A decisão de Lula sinaliza que, em certos temas considerados estratégicos – como a composição do STF –, o presidente está disposto a pagar o preço político do conflito. A pergunta que fica é se o custo dessa nomeação, medida em perda de apoio no Legislativo, não será alto demais para um governo que já navega em águas tão turbulentas. O próximo capítulo dessa disputa será a sabatina no Senado, onde a insatisfação de Alcolumbre poderá se transformar em um obstáculo intransponível para a posse de Jorge Messias.