O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu oficialmente a 30ª Conferência do Clima da ONU (COP30), em Belém, com um discurso contundente que mirou as nações ricas. Ele criticou a ausência de alguns chefes de Estado no evento e atacou o financiamento de guerras em detrimento da luta contra as mudanças climáticas.
Em seu pronunciamento, Lula não poupou palavras ao questionar o que chamou de “prioridades invertidas” da comunidade internacional. O presidente destacou a contradição entre a dificuldade em mobilizar recursos para o fundo climático e a velocidade com que bilhões de dólares são destinados a conflitos armados.
“Enquanto travamos uma batalha complexa para garantir os US$ 100 bilhões anuais para o clima, vemos trilhões sendo mobilizados para a guerra em questão de semanas. Onde está a prioridade da humanidade?”, questionou, em referência indireta a conflitos como o da Ucrânia e da Faixa de Gaza.
Lula também fez um veemente apelo pela paz, afirmando que “não há como falar em proteger o planeta enquanto se promove a destruição de vidas humanas”.
A escolha de Belém para sediar a COP30 foi apresentada por Lula como um símbolo do compromisso do Brasil com a Amazônia e com os países em desenvolvimento. Ele reafirmou as metas nacionais de combate ao desmatamento e destacou o papel fundamental da região na regulação do clima global.
No entanto, a ausência de líderes de potências como Estados Unidos, China e Rússia ofuscou o início do evento, dando peso extra às críticas do mandatário brasileiro. A fala de Lula é vista como um posicionamento político claro, que busca colocar o país como uma voz liderante no Sul Global nas negociações climáticas.
O discurso inicial define um tom de confronto e alta expectativa para as duas semanas de conferência, pressionando as nações desenvolvidas a assumirem maiores compromissos financeiros e a converterem suas promessas em ações concretas.