Enquanto o governo do Paraná decretava estado de calamidade pública em Rio Bonito do Iguaçu, no centro-sul do Estado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarcava para mais uma viagem internacional desta vez, para a Colômbia. O contraste chamou atenção e gerou críticas, já que o tornado devastou cerca de 90% da área urbana do município paranaense, deixando seis mortos e mais de 400 feridos.
O desastre natural, classificado como tornado de categoria F3, atingiu ventos de até 250 km/h, segundo o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná). Diante do cenário de destruição, o governador Ratinho Junior (PSD) decretou estado de calamidade pública, o que permite acelerar o envio de recursos, reconstrução de moradias e instalação de abrigos temporários.
“Decretei o estado de calamidade pública, que nos permite dar mais celeridade aos atendimentos e à liberação de recursos. Já determinei que a Cohapar estude estratégias para a reconstrução das moradias e estamos preparando alojamentos para garantir o amparo às famílias”, declarou o governador.
Apesar da gravidade da situação, Lula não visitou as vítimas nem o município atingido. O presidente manteve sua agenda internacional e participou de um encontro com o presidente colombiano Gustavo Petro, conhecido por suas críticas aos Estados Unidos.
Durante o evento, Petro fez um discurso polêmico, direcionando ameaças e críticas ao presidente norte-americano Donald Trump e ao secretário de Estado Marco Rubio:
“Aviso a Rubio e Trump: tenham cuidado. Vocês estão entrando na terra natal de Bolívar, onde exércitos camponeses com lanças derrotaram as poderosas forças espanholas e francesas.”
A fala repercutiu internacionalmente, e Lula, que nos últimos meses tem adotado um tom crítico em relação à política externa dos EUA, participou da mesma cúpula. O gesto foi interpretado por analistas políticos como mais um movimento de aproximação com governos de esquerda da América Latina e de distanciamento diplomático de Washington.
Enquanto isso, no Brasil, equipes do governo federal foram enviadas ao Paraná, mas sem a presença do presidente. A população local e lideranças regionais aguardam uma visita oficial de Lula às áreas devastadas.
O decreto de calamidade pública em Rio Bonito do Iguaçu autoriza a prefeitura e o governo estadual a dispensar licitações, mobilizar recursos emergenciais e solicitar apoio federal para reconstrução. Parte da cidade segue sem energia elétrica, com escolas e unidades de saúde danificadas.