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Lulinha orientou lobista a emitir nota cobrando investigado da PF

Cleber Ribas teria faturado cerca de R$ 80 milhões em contratos federais na gestão Lula

Novas investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) apontam conversas entre o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e a lobista Roberta Luchsinger. Conforme os documentos, Lulinha instruiu a emissão de nota fiscal para cobrar valores do empresário Cleber Ribas, controlador da empresa 3Structure It Ltda.

Os registros, obtidos de celulares apreendidos pela PF e divulgados pelo portal Metrópoles, indicam que a interlocução entre o filho do petista e a empresária denotava forte proximidade e envolvimento em articulações políticas. As apurações demonstram que Lulinha acompanhava de perto os interesses da lobista, participando ativamente de diálogos estratégicos vinculados à estrutura interna do governo federal.

Em trechos das conversas divulgadas, datadas de julho de 2023, Lulinha pede a convocação de autoridades para encontros na Bahia, enquanto a lobista relata contatos com ministros, governadores e secretários. Logo após essas tratativas, o filho do presidente ordena o faturamento direcionado a Cleber Ribas.

— Pronto, já falei com Fernando, com contador, com governador, com secretários, com todo mundo — diz Roberta, respondendo ao pedido de Lulinha.

— Emite a NF pro Cleber [Ribas] — pede Lulinha.

— Já fiz! — responde Roberta.

— Boaaaaa — comemora o empresário.

O relatório da PF aponta que Cleber Ribas faturou cerca de R$ 80 milhões em contratos firmados com órgãos federais durante a gestão do presidente Lula. A proximidade entre os investigados e a movimentação de contratos públicos são o eixo central das apurações conduzidas sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ainda segundo o documento, Ribas teria pedido um encontro com Lulinha no dia 31 de maio do mesmo ano e informado, em seguida, que Rodrigo Assumpção havia assumido o cargo de novo presidente da Dataprev, responsável por gerenciar o sistema do INSS. As apurações contra Lulinha foram autorizadas pelos ministros André Mendonça e Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Diante da repercussão das evidências recolhidas nos inquéritos, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva criticou duramente a divulgação dos dados.

— Caso estejamos diante de mais um lamentável episódio de violação do dever de sigilo funcional, o recorte seletivo e a divulgação parcial revelam um abandono de qualquer pretensão de imparcialidade — afirmaram os advogados.

Os defensores alegam ainda que os conteúdos apontados pela Polícia Federal estariam sendo utilizados fora de contexto.

— Fragmentos de informações sigilosas foram indevidamente divulgados fora de seu contexto original, de origem e integridade não verificadas e cuja seleção descontextualizada pode ser manipulada para construir narrativas distorcidas da realidade — disseram.

A defesa da lobista Roberta Luchsinger não se manifestou, com a justificativa de que o inquérito está sob sigilo. Já os representantes do empresário Cleber Ribas enviaram uma nota ao O Contribuinte.

Leia a nota da defesa de Cleber Ribas:
A defesa não tem como comentar supostas mensagens extraídas de arquivos aos quais não teve acesso integral, muito menos eventuais conversas mantidas por terceiros, sem a participação de Cleber Ribas.

O que a defesa pode afirmar é que Fábio Luís Lula da Silva mantinha uma relação estritamente pessoal com Cleber Ribas, decorrente da amizade entre ambos, sem qualquer vínculo profissional ou comercial.

Reitera-se, ademais, que os contratos celebrados pela 3Structure com o Governo Federal foram firmados na mais absoluta transparência, depois dos procedimentos administrativos previstos em lei e sem o favorecimento de quem quer que seja.

“FUTURO NA SUÍÇA”
Em outras conversas interceptadas pela PF e divulgadas entre Lulinha e Roberta Luchsinger, a dupla projeta um futuro promissor na Suíça, um dos países mais desenvolvidos e caros para se viver, de acordo com dados oficiais. O diálogo é de março de 2024 e também revela tratativas para encontros com membros do governo federal, sob a gestão de seu pai, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).