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Master: deputados do PP pagaram cartão de crédito de Ciro Nogueira, diz PF

Relatório do Coaf cita pagamentos feitos por Júlio Arcoverde e Átila Lira; investigadores avaliam possível uso de terceiros para custear despesas do presidente nacional do PP.

Um relatório da Polícia Federal baseado em informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que deputados federais do Progressistas (PP) realizaram pagamentos de faturas do cartão de crédito do senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional da legenda.

As informações constam em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) incorporado ao inquérito que apura a relação entre o senador e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do antigo Banco Master.

Segundo o documento, o deputado federal Júlio Arcoverde (PP-PI) efetuou, em 19 de junho de 2024, o pagamento de uma fatura no valor de R$ 13.693,54. Já o deputado federal Átila Lira (PP-PI) quitou uma despesa de R$ 3.457,00 em 4 de junho do mesmo ano.

Embora tenham sido citados nos relatórios, os dois parlamentares não figuram, até o momento, como investigados formalmente pela Polícia Federal.

Vínculos políticos e empresariais

Ao detalhar o caso, a PF destaca a existência de relações políticas, pessoais e econômicas entre Júlio Arcoverde e Ciro Nogueira. O relatório menciona que ambos são sócios da empresa Seven — Bar & Charutaria.

Os investigadores também registram que um filho de Arcoverde exerce função de auxiliar parlamentar no gabinete do senador, com remuneração mensal de R$ 12.985,57.

Para a Polícia Federal, os pagamentos realizados por pessoas diretamente ligadas ao presidente do PP podem indicar uma possível tentativa de ocultar o verdadeiro beneficiário das despesas.

Suspeita de vantagem indevida

De acordo com o relatório, os elementos identificados reforçam a hipótese de que Ciro Nogueira possa ter sido beneficiado por pagamentos realizados por terceiros.

Os investigadores afirmam que há indícios de uma “possível utilização de terceiros como instrumento de ocultação do real beneficiário das despesas e dos fluxos financeiros”, situação que estaria relacionada aos interesses do grupo econômico controlado por Daniel Vorcaro.

A investigação busca esclarecer se os pagamentos possuem relação com eventuais vantagens indevidas vinculadas ao empresário e ao grupo financeiro sob sua influência.

Defesa

Procurada, a defesa de Ciro Nogueira informou que não se manifestará neste momento, mas afirmou que todos os esclarecimentos serão apresentados nos autos do processo.

Os deputados federais Júlio Arcoverde e Átila Lira, segundo a reportagem que revelou o caso, não responderam aos pedidos de manifestação até a publicação da matéria.

O caso segue sob análise da Polícia Federal, que apura a origem dos recursos e a natureza dos pagamentos identificados pelo Coaf.