Carne bovina, celulose e ferro-gusa seguem livres da nova cobrança de 25%, preservando bilhões em negócios com os americanos.
O novo pacote tarifário anunciado pelo governo dos Estados Unidos contra produtos brasileiros provocou preocupação em diversos setores da economia nacional. Em Mato Grosso do Sul, porém, o cenário é menos alarmante. Os principais produtos exportados pelo Estado ao mercado norte-americano ficaram de fora da cobrança adicional de 25%, preservando a maior parte das vendas sul-mato-grossenses.
Dados da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) mostram que os Estados Unidos são atualmente o segundo principal destino das exportações do Estado, atrás apenas da China. Entre janeiro e abril deste ano, as vendas para o mercado americano somaram cerca de R$ 1,45 bilhão.
A boa notícia para o setor produtivo local é que mais de 95% dessa pauta exportadora foi enquadrada nas exceções previstas pelo governo norte-americano.
Carne lidera exportações e escapa da sobretaxa
O principal produto exportado por Mato Grosso do Sul aos Estados Unidos continua sendo a carne bovina congelada. Responsável por aproximadamente metade de tudo o que o Estado vende aos norte-americanos, o produto ficou fora da nova tarifa por estar enquadrado entre os alimentos considerados estratégicos.
Somente nos quatro primeiros meses do ano, as exportações de carne bovina congelada renderam cerca de R$ 731 milhões aos frigoríficos sul-mato-grossenses.
Outro item relevante que escapou da taxação foi o ferro-gusa, utilizado pela indústria americana e considerado matéria-prima essencial para diversos segmentos produtivos. O produto respondeu por quase 25% das exportações estaduais para os EUA, movimentando cerca de R$ 359 milhões no período.
Celulose também permanece protegida
A celulose, um dos pilares da economia sul-mato-grossense e responsável pela transformação do Estado em referência nacional no setor florestal, também foi incluída entre os produtos preservados pela nova política comercial americana.
Entre janeiro e abril, as vendas de celulose aos Estados Unidos ultrapassaram R$ 212 milhões, representando quase 15% de toda a pauta exportadora de Mato Grosso do Sul para aquele país.
Além desses produtos, também ficaram fora da sobretaxa itens como carne bovina refrigerada, carne salgada ou defumada e filés de tilápia.
Etanol entra no radar da disputa comercial
Se por um lado os principais produtos exportados por Mato Grosso do Sul foram preservados, por outro o setor de etanol acompanha com atenção os desdobramentos da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos.
A medida americana ocorre em meio a críticas às tarifas aplicadas pelo Brasil sobre o etanol importado dos EUA. O combustível produzido pelos norte-americanos enfrenta uma alíquota superior à cobrada sobre o etanol brasileiro que entra naquele mercado.
Especialistas do setor avaliam que o crescimento da produção nacional, especialmente em estados como Mato Grosso do Sul, aumentou a competitividade brasileira e contribuiu para o acirramento das tensões comerciais.
Consumidor pode sentir efeito positivo
Apesar das incertezas, representantes do setor de combustíveis avaliam que eventual redução das exportações de etanol poderia aumentar a oferta do produto no mercado interno.
Na prática, isso poderia tornar o biocombustível mais competitivo em relação à gasolina, beneficiando consumidores e ampliando a disputa por preços nos postos.
Por enquanto, contudo, não há indicação de impacto imediato no valor dos combustíveis. O mercado aguarda os detalhes da implementação das novas tarifas para avaliar os reflexos reais sobre a cadeia produtiva do etanol e sobre a economia sul-mato-grossense.
Enquanto isso, os números mostram que Mato Grosso do Sul segue relativamente blindado dos efeitos mais severos do novo tarifaço americano, graças à força de setores estratégicos como a carne bovina, a celulose e a mineração.