O anúncio da aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, feito nesta quarta-feira (9), movimentou os bastidores políticos de Brasília e abriu oficialmente a disputa pela nova vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre ministros da Corte, cresce o apoio ao nome do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), visto como uma figura moderada e capaz de restaurar a harmonia entre os Poderes. Pacheco, que deixou a presidência do Senado em fevereiro e hoje mantém boa relação com diferentes alas políticas, é tido por muitos magistrados como o nome ideal para diminuir tensões recentes entre o STF e o Congresso.
O atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), já manifestou nos bastidores apoio explícito à indicação de Pacheco. Alcolumbre é considerado um dos principais articuladores políticos no Senado e deve exercer forte influência sobre o processo de sabatina e aprovação do próximo ministro da Suprema Corte.
No entanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem outro plano. Lula quer indicar o atual Advogado-Geral da União, Jorge Messias, apelidado de “Bessias”, seu aliado de longa data e figura de extrema confiança desde os tempos do governo Dilma Rousseff. Messias é visto dentro do Planalto como um nome leal, técnico e alinhado ao projeto político do governo.
Com essa preferência, Lula pretende manter a linha de indicações que começou com Cristiano Zanin, que já ocupa uma cadeira no Supremo desde 2023. O presidente acredita que a chegada de Messias consolidaria uma maioria mais próxima ao Palácio do Planalto dentro da Corte — o que tem gerado desconforto entre ministros que defendem maior independência institucional.
Fontes do Supremo afirmam que a movimentação em torno de Pacheco ganhou força justamente após o anúncio de aposentadoria de Barroso, considerado por parte da Corte como um ministro de perfil político e protagonista. A saída de Barroso abre espaço para uma recomposição que pode redefinir o tom do STF nos próximos anos.
A decisão final, porém, está nas mãos de Lula, que deve formalizar a indicação nas próximas semanas. O nome escolhido precisará ser sabatinado e aprovado pelo Senado — cenário em que Alcolumbre e seus aliados terão papel decisivo.
Nos bastidores, o clima é de expectativa e disputa velada entre o Palácio do Planalto e ministros do Supremo. O equilíbrio entre política e independência judicial volta ao centro do debate, em um momento delicado das insti