A morte do renomado advogado criminalista Luiz Fernando Sá e Souza Pacheco, de 51 anos, encontrado em colapso na madrugada de quarta-feira (1º) em Higienópolis, São Paulo, levanta um véu de suspeitas e abala o meio jurídico. Desaparecido desde 30 de setembro, Pacheco, figura central no julgamento do Mensalão e defensor do ex-presidente do PT José Genoino, foi localizado por equipes do Samu na rua Itambé, com convulsões e dificuldades respiratórias. Sem documentos, sua identidade só foi confirmada postumamente por impressões digitais, após sua morte às 1h40 na Santa Casa. O que parecia uma tragédia súbita agora é investigado como um caso potencialmente sinistro, com rumores de envenenamento por metanol pairando sobre o inquérito.
Registrada inicialmente como morte súbita no 78º DP, nos Jardins, a investigação da Polícia Civil tomou novo fôlego com informações não confirmadas de que Pacheco teria ingerido metanol, uma substância letal presente em bebidas adulteradas. Fontes extraoficiais relatam mensagens atribuídas ao advogado, enviadas a conhecidos, mencionando a substância tóxica. Laudos de necropsia e exames toxicológicos são aguardados para esclarecer se a morte foi acidental, resultado de uma condição médica ou, mais grave, envolveu terceiros. Até agora, 60% das circunstâncias permanecem envoltas em incerteza, alimentando especulações nas redes e no meio jurídico.
Pacheco não era apenas um advogado; era uma lenda do direito criminal. Sua atuação combativa no Mensalão, quando enfrentou o então presidente do STF, Joaquim Barbosa, rendeu uma expulsão histórica do plenário em 2014, marcando-o como símbolo de resistência progressista. Membro influente da OAB-SP, do Conselho Federal da Ordem e fundador do grupo Prerrogativas, Pacheco era conhecido por sua defesa intransigente do direito de defesa, mas também por atrair inimigos em casos politicamente explosivos. Sua trajetória, que inclui cargos de peso e proximidade com figuras como o ministro Paulo Teixeira, levanta a questão: seria sua morte um desfecho casual ou um acerto de contas?
Homenagens não faltaram. O presidente da OAB, Beto Simonetti, exaltou sua “firmeza e respeito às instituições”. Leonardo Sica, da OAB-SP, lamentou a perda de “um guerreiro do bem”, decretando três dias de luto. Marco Aurélio Carvalho, do Prerrogativas, descreveu Pacheco como “combativo, sensível e solidário”. Até o juiz Marcelo Semer, em tom pessoal, destacou sua verve “divertida”. Mas, enquanto as condolências ecoam, a direita nas redes sociais já aponta dedos: “Advogado do PT morto em circunstâncias estranhas? Isso cheira a queima de arquivo”, disparou um influenciador no X, com mais de 20 mil curtidas.
Por ora, a Polícia Civil mantém sigilo sobre os passos de Pacheco antes do colapso. Onde ele esteve? Com quem? A menção ao metanol é pista ou distração? Sem ligação clara com sua atuação profissional, o inquérito enfrenta um labirinto: foi um acidente, uma fatalidade médica ou algo mais sombrio? Enquanto respostas não vêm, o Brasil acompanha com desconfiança. A morte de um titã do direito, em plena capital paulista, não será esquecida tão cedo.