Ministro do STF tenta desqualificar trabalho do Metrópoles e reacende debate sobre liberdade de imprensa
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, voltou a adotar um tom de confronto com a imprensa ao classificar como “falsa, mentirosa e criminosa” a apuração do portal Metrópoles que revelou um suposto encontro entre ele, um assessor e o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, na residência do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Segundo a reportagem, o encontro teria ocorrido em um fim de semana do primeiro semestre de 2025. Moraes negou de forma categórica e afirmou que a informação “segue um padrão criminoso de ataques desqualificados contra os integrantes do Supremo Tribunal Federal”, elevando o tom contra jornalistas que divulgaram o conteúdo.
A reação do ministro, no entanto, provocou forte repercussão e críticas no meio jornalístico e jurídico. Para veículos de imprensa e especialistas, um servidor público — especialmente um ministro do STF — não pode tratar apuração jornalística que o desagrada como crime, sob pena de banalizar conceitos penais e intimidar o exercício do jornalismo profissional.
Histórico de embates com a imprensa
Não é a primeira vez que Moraes reage dessa forma. Em 2024, durante a divulgação da série de reportagens conhecida como Vaza-Toga, publicada pela Folha de S.Paulo, o ministro insinuou ter sido traído pela imprensa tradicional e chegou a afirmar que jornalistas estariam “aderindo ao modo de agir de desinformadores” que ele próprio investigava.
O episódio gerou críticas à ampliação subjetiva do conceito de “milícias digitais”, que, historicamente, tem sido utilizado em inquéritos no STF para enquadrar desde influenciadores digitais até empresários e plataformas internacionais — como ocorreu no caso envolvendo Elon Musk.
Metrópoles não recua e reafirma apuração
Apesar das acusações, o Metrópoles manteve sua posição e reafirmou a investigação. O jornalista Samuel Pancher, responsável pela reportagem, foi direto na resposta:
“O Metrópoles mantém a apuração sobre o encontro e reitera as informações publicadas na reportagem original.”
A postura do veículo reforça um princípio básico do jornalismo: apuração não se invalida por ataques retóricos, mas por fatos, documentos e provas em contrário.
Crítica editorial
No entendimento do Portal O Contribuinte, a reação do ministro Alexandre de Moraes é incompatível com o discurso que ele próprio construiu ao longo dos anos como defensor da democracia, das instituições e da liberdade de expressão.
Classificar reportagens como “criminosas” sem decisão judicial, sem contraditório e sem comprovação objetiva não fortalece a democracia — enfraquece. Além disso, não é novidade nem estratégia eficaz: tentar desqualificar o mensageiro para evitar o debate sobre o conteúdo nunca intimidou o jornalismo sério.
A democracia que se pretende defender não combina com ataques à imprensa, mas com transparência, respostas objetivas e respeito ao direito da sociedade de ser informada.