O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou que a Polícia Federal mantenha vigilância permanente durante a internação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Hospital DF Star, em Brasília. A decisão prevê a presença mínima de dois agentes da PF na porta do quarto, em regime de 24 horas por dia, durante todo o período de internação.
Bolsonaro será submetido a uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral, autorizada pelo STF, e deverá ser internado nesta quarta-feira (24), véspera de Natal. A medida integra um conjunto de determinações judiciais que acompanham a situação do ex-presidente, atualmente sob medidas cautelares impostas pela Corte.
Segurança reforçada e restrições no quarto
De acordo com a decisão, a Polícia Federal deverá garantir tanto a integridade física do custodiado quanto a segurança das dependências do hospital, mantendo equipes de prontidão dentro e fora da unidade de saúde.
“A Polícia Federal deverá providenciar a completa vigilância e segurança do custodiado durante sua estadia, bem como do hospital, mantendo equipes de prontidão. A Polícia Federal deverá garantir, ainda, a segurança e fiscalização 24 horas por dia, mantendo, no mínimo, dois policiais federais na porta do quarto”, afirma trecho do despacho assinado por Moraes.
Além da vigilância reforçada, o ministro também proibiu a entrada de celulares e outros equipamentos eletrônicos no quarto de internação, permitindo apenas materiais estritamente necessários ao atendimento médico.
Medida gera questionamentos
A determinação chama atenção pelo nível de controle imposto durante um procedimento médico, algo incomum mesmo em casos envolvendo autoridades públicas. A presença permanente da Polícia Federal em ambiente hospitalar e a restrição de dispositivos eletrônicos levantam questionamentos sobre os limites entre a custódia judicial e o direito à privacidade e à dignidade do paciente.
A decisão reforça o protagonismo do STF — e, em especial, de Alexandre de Moraes — na condução direta de medidas que extrapolam o campo jurídico e avançam sobre a esfera pessoal do ex-presidente, o que tem sido alvo de críticas por parte de aliados e juristas.
Internação sob vigilância total
Com a internação marcada para a véspera de Natal, Bolsonaro deverá permanecer no hospital sob monitoramento contínuo, sem acesso a meios de comunicação e com circulação controlada. A Polícia Federal ficará responsável por avaliar a necessidade de reforço adicional, conforme o andamento da internação.
O caso reacende o debate sobre excessos de autoridade, judicialização da política e o papel do STF em decisões que impactam diretamente a vida pessoal de investigados e ex-mandatários.