Ministro havia convocado pronunciamento para as 11h desta quinta-feira (10), em meio aos desdobramentos do caso Master e um dia após Fachin encerrar sua delegação no Inquérito das Fake News; poucas horas depois, nova comunicação informou o cancelamento.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), cancelou nesta quinta-feira (10) o pronunciamento que havia marcado para as 11h, no plenário da Primeira Turma da Corte.
A mudança aconteceu poucas horas depois da convocação.
Moraes havia anunciado que faria uma manifestação em um dos momentos mais delicados desde o início das revelações envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro. A expectativa sobre o conteúdo cresceu principalmente porque o anúncio ocorreu um dia depois de decisões importantes do presidente do STF, Edson Fachin.
Mas a fala não aconteceu.
Segundo informações publicadas pelo Metrópoles, após convocar a imprensa, Moraes enviou uma nova comunicação informando o cancelamento. Os arquivos encaminhados ao O Contribuinte também registram que aliados do ministro afirmavam que ele pretendia apresentar informações relacionadas ao caso Master que deveria prestar ao próprio Fachin.
Moraes marcou e depois desistiu
A sequência aconteceu rapidamente.
Primeiro, surgiu a informação de que Alexandre de Moraes faria um pronunciamento às 11h desta quinta-feira.
O anúncio chamou atenção porque o ministro vinha há meses sem fazer uma manifestação ampla enfrentando publicamente os principais questionamentos surgidos desde que as revelações do caso Master alcançaram seu nome e seu entorno.
Pouco depois, entretanto, veio o recuo:
o pronunciamento estava cancelado.
Até o momento, não foi apresentada publicamente uma explicação detalhada para a mudança de planos.
Fala aconteceria após uma quarta-feira turbulenta
O momento escolhido inicialmente para o pronunciamento também não passou despercebido.
Na quarta-feira (9), Edson Fachin retirou de Alexandre de Moraes a condução das investigações preliminares vinculadas ao Inquérito das Fake News, encerrando uma delegação que existia desde março de 2019.
A Portaria nº 189 revogou a designação de Moraes no Inquérito 4.781.
As ações penais já instauradas e com denúncia recebida permanecem sob sua condução, mas inquéritos, petições e procedimentos preliminares distribuídos por prevenção ao caso retornaram à Presidência.
Foi uma mudança significativa depois de aproximadamente sete anos de protagonismo de Moraes nesse conjunto de investigações.
Caso Master aumentou pressão
Paralelamente, Moraes enfrenta questionamentos decorrentes das revelações envolvendo Daniel Vorcaro.
Na semana passada, André Mendonça retirou o sigilo de mensagens que, segundo o material publicado, revelaram contatos e uma relação próxima entre Moraes e o banqueiro.
Esse material se soma às controvérsias relacionadas ao contrato milionário celebrado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
O contrato divulgado alcança aproximadamente R$ 131,2 milhões, e seus documentos passaram a ser analisados em meio às investigações.
Metadados também entraram no caso
Outro elemento que passou a ser discutido são os metadados de uma versão do contrato.
A análise policial registrou o nome “Ministro Alexandre de Moraes” associado ao campo de última modificação do arquivo.
O dado despertou questionamentos sobre eventual participação do ministro na edição do documento.
Isoladamente, porém, um registro de metadados não comprova autoria material das cláusulas, assinatura ou eventual irregularidade, algo que depende de análise técnica e do conjunto das demais provas.
Era justamente esse tipo de questão que poderia ser esclarecido diretamente por Moraes.
A expectativa era de explicações sobre o Master
Segundo as informações publicadas nesta quinta-feira, aliados indicavam que Moraes pretendia apresentar aos jornalistas informações que também deveria prestar a Edson Fachin relacionadas ao caso Master.
Isso elevou ainda mais a expectativa em torno das 11h.
Havia uma lista crescente de questões esperando uma manifestação pública do ministro: sua relação com Vorcaro, os encontros atribuídos aos dois, o contrato do Master com o escritório de sua esposa, os metadados do documento e as mensagens encontradas durante as investigações.
Agora, pelo menos por enquanto, essas explicações não serão dadas no pronunciamento anunciado.
Cancelamento em momento delicado
O cancelamento não permite concluir, sozinho, que Moraes esteja “inseguro” ou “indeciso”. Politicamente, porém, a sequência abre espaço para essa leitura e inevitavelmente alimenta questionamentos sobre o motivo do recuo.
A cronologia é objetiva:
Moraes permaneceu durante meses sem um pronunciamento amplo sobre as revelações.
Na quarta-feira, Fachin encerrou sua delegação no Inquérito das Fake News.
Nesta quinta-feira, Moraes anunciou que falaria às 11h.
A expectativa cresceu.
E, poucas horas depois, cancelou.
O silêncio continua
O episódio termina, por enquanto, de maneira completamente diferente daquela que começou.
A quinta-feira deveria marcar a quebra do silêncio de Alexandre de Moraes.
Em vez disso, passou a produzir uma nova pergunta:
por que o ministro decidiu falar justamente agora e, poucas horas depois, desistiu?
Sem uma explicação pública detalhada para o cancelamento, o pronunciamento que não aconteceu se transforma em mais um capítulo da crise.
E as perguntas que Moraes poderia responder às 11h continuam sem resposta pública direta do ministro.