(67) 9 9689-6297 | ocontribuintebr@gmail.com

Moraes transforma crítica pessoal de Bolsonaro em ameaça contra a democracia durante julgamento

Em mais um episódio de protagonismo no julgamento da chamada “trama golpista”, o ministro Alexandre de Moraes interrompeu o voto da ministra Cármen Lúcia, nesta quinta-feira (11), para exibir um vídeo de Jair Bolsonaro durante o 7 de setembro de 2021. Nele, o ex-presidente chama Moraes de “canalha”.

O ministro afirmou que a fala não representava uma ofensa pessoal, mas sim uma ameaça contra “a instituição Judiciário”. Em tom exaltado, sustentou que ataques desse tipo configurariam risco ao Estado Democrático de Direito, comparando o episódio a um hipotético prefeito que chamasse de “canalha” um juiz de comarca.

“Não se trata de uma crítica ao ministro Alexandre de Moraes, mas de uma ameaça à própria Justiça. O Judiciário tem de ser respeitado”, declarou o magistrado, em discurso inflamado que destoou da serenidade habitual dos votos.

A interrupção causou visível desconforto em Cármen Lúcia, que pediu a palavra de volta: “Termina que eu tenho um voto pra dar, me deixa falar”, disse a ministra, em tom seco.

Crítica ou crime?

O episódio levanta questionamentos sobre até que ponto uma crítica, mesmo ácida, a um ministro da Suprema Corte pode ser transformada em crime contra o Estado Democrático de Direito. Para Moraes, chamar um magistrado de “canalha” não é apenas uma ofensa, mas um atentado institucional.