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MPT arquiva investigação sobre greve forjada em transporte de Campo Grande após motoristas recusarem depor

O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) arquivou a investigação que apurava se o Consórcio Guaicurus, concessionária do transporte coletivo de Campo Grande, forçou uma greve “falsa” em outubro. O arquivamento ocorreu devido à falta de provas, após os motoristas supostamente envolvidos se recusarem a depor por medo de represálias.

A denúncia partiu do vereador Maicon Nogueira (PP), que afirmou ter contato com pelo menos dez motoristas. Eles confirmariam, em off, que a paralisação de 22 de outubro foi uma medida combinada entre o sindicato e a empresa para pressionar a Prefeitura por mais repasses de verbas públicas. No entanto, nenhum deles aceitou prestar depoimento formal.

“Infelizmente, nenhum motorista teve coragem de se colocar à disposição para testemunhar, por medo de represálias”, lamentou o parlamentar.

A Defesa da Empresa e a Posição do MPT

Em sua defesa, o Consórcio Guaicurus afirmou que a greve foi um “ato unilateral de protesto” dos trabalhadores, insatisfeitos com o atraso no adiantamento salarial. A empresa atribuiu o atraso à “grave crise financeira” agravada pela falta de repasses de subsídios tarifários da Prefeitura. O sindicato (STTCU-CG) confirmou que não houve aviso formal da paralisação.

O procurador do Trabalho Odracir Juares Hecht, responsável pelo caso, reconheceu o possível medo de represálias, mas destacou que, sem o depoimento dos próprios trabalhadores supostamente coagidos, não havia como dar prosseguimento à investigação. Diante da insuficiência de provas, o procedimento foi arquivado.

A Acusação de “Extorsão Velada”

A reportagem ouviu motoristas e um ex-funcionário que integrara a diretoria do sindicato. Eles descrevem um esquema de “extorsão velada”, no qual as paralisações seriam orquestradas pelos empresários em conluio com sindicalistas para criar um clima de caos e pressionar o poder público a liberar recursos.

Relatos dão conta de que, no dia da paralisação, chefes na garagem orientaram os motoristas a segurar os ônibus. “Deixa eles falarem do caos, daí a gente volta. Isso aí é só pra liberarem uma verba que tá presa”, teria dito um deles, segundo gravação citada.

Coincidentemente, após a paralisação, a Prefeitura realizou um repasse imediato de R$ 1,6 milhão ao Consórcio – cuja nota de empenho havia sido emitida justamente na véspera da greve.

As Negativas e a Justificativa do Sindicato

O presidente do STTCU-CG, Demétrio Freitas, nega qualquer conluio. Ele afirma que a paralisação foi uma resposta à pressão da categoria pelo atraso no adiantamento salarial e garante que decisões futuras serão tomadas exclusivamente em assembleia com os trabalhadores.

A prefeita Adriane Lopes (PP) rebateu as acusações, afirmando que os repasses referentes aos passes estudantis estão em dia e que o pagamento só ocorre após a prestação do serviço, acusando o Consórcio de usar a situação “politicamente”.

Um dos denunciantes resumiu a insatisfação: “Eles poderiam pagar e depois cobrar a Prefeitura. A prioridade deveria ser não deixar os funcionários sem o adiantamento. Mas não é o que fazem. Eles param e isso recai nos motoristas”.

Com o arquivamento do MPT, a investigação sobre as supostas greves forjadas chega ao fim, sem que as acusações tenham sido judicialmente comprovadas.