CEO da Group Br, Júnior Favoreto, foi citado como responsável por abordagem a influenciadores; Firmino Cortada, agenciado pela empresa, produziu conteúdos sobre o caso e levanta questionamentos
O escândalo envolvendo a tentativa de ofensiva digital milionária em defesa do Banco Master, instituição liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central, ganhou um novo recorte regional: Mato Grosso do Sul aparece diretamente ligado a dois nomes citados na apuração.
Trata-se de Júnior Favoreto, CEO da agência Group BR, e do influenciador Firmino Cortada, ambos sul-mato-grossenses e hoje com atuação nacional no mercado de influência digital e comunicação política.
As informações constam em reportagens publicadas pelo jornal O Globo, pela colunista Malu Gaspar, e repercutidas por diversos veículos, além de apuração própria do Portal O Contribuinte.
Júnior Favoreto é citado como responsável por abordagem
A influenciadora Juliana Moreira Leite, que soma cerca de 1,4 milhão de seguidores, afirmou publicamente que foi abordada por Favoreto, para participar de uma ação envolvendo conteúdos sobre o Banco Master.
Segundo Juliana, a proposta incluía publicações que questionariam a atuação do Banco Central no processo de liquidação da instituição financeira, alinhadas a uma estratégia de defesa do banco.
O nome de Júnior Favoreto surge no mesmo contexto em que outras agências teriam oferecido contratos de até R$ 2 milhões a influenciadores digitais, dentro de uma operação conhecida como “Projeto DV” ou “Operação DV”, referência ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Firmino Cortada, Group Br e os conteúdos sobre o Banco Master
Outro ponto sensível da apuração envolve o influenciador Firmino Cortada, um dos nomes mais populares do humor político brasileiro atualmente.
Firmino:
– É natural de Mato Grosso do Sul
– Cresceu rapidamente em alcance nacional
Recentemente, foi divulgado que Firmino Cortada integra o casting oficial de influenciadores da Group Br, agência comandada por Júnior Favoreto.
Durante o auge da crise do Banco Master, Firmino publicou diversos vídeos sobre o caso. Dois deles chamaram atenção por:
– Não atacarem diretamente o banco
– Trazerem questionamentos sobre a decisão do Banco Central
– Apresentarem um tom considerado atípico em relação à postura crítica usual do influenciador
Para parte do público, o conteúdo soou ambíguo ou excessivamente cauteloso, levantando dúvidas sobre eventual alinhamento estratégico.
Na manhã desta quarta-feira, 7, Firmino voltou a tratar do tema em suas redes sociais, porém sem esclarecimentos objetivos sobre eventual vínculo comercial ou editorial envolvendo o caso.
Diante do contexto, surge a pergunta que ainda não foi respondida publicamente:
Firmino Cortada recebeu ou não qualquer valor, orientação ou alinhamento para tratar do caso Banco Master?
Até o momento, não há comprovação de pagamento nem confirmação de contrato envolvendo Firmino no episódio.
Polícia Federal entra em campo
A controvérsia ganhou novo patamar após a informação de que a Polícia Federal vai investigar se houve uma campanha coordenada envolvendo influenciadores digitais para atacar o Banco Central a mando do Banco Master.
Segundo apuração do jornal O Estado de S. Paulo, confirmada pelo Portal O Contribuinte, a PF avalia abrir um inquérito específico para apurar se 46 perfis foram acionados com o objetivo de:
– Desgastar institucionalmente o BC
– Influenciar a opinião pública
– Tentar reverter a liquidação do Master por meio de pressão política e digital
De acordo com fontes ligadas à investigação:
– A agência UNLTD estaria entre as responsáveis pelos contatos
– Os contratos chegariam a R$ 2 milhões
– Havia cláusula de confidencialidade com multa de até R$ 800 mil
A investigação considera ainda a hipótese de que os conteúdos buscavam associar a liquidação do banco a uma suposta articulação de políticos de esquerda e do chamado “Centrão” — tese já descartada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Vereador do PL denunciou o esquema
Um dos denunciantes é o vereador Rony Gabriel (PL), de Erechim (RS), com mais de 1,5 milhão de seguidores. Ele afirma ter sido procurado, chegou a assinar um acordo de confidencialidade e, ao compreender o teor da proposta, recusou participar.
“Se Daniel Vorcaro cair, muitos políticos caem junto”, afirmou o vereador em vídeo, relatando o conteúdo do material que lhe foi apresentado.
Rony encaminhou documentos e mensagens à colunista Malu Gaspar, que deu início à série de reportagens sobre o caso.