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MS segue roteiro de SC na corrida pelo Senado; bolsonaristas raiz podem frustrar planos de Azambuja no PL

Duas candidaturas bolsonaristas raiz podem dividir o eleitorado conservador e desafiar a liderança de Reinaldo Azambuja no PL.

O Mato Grosso do Sul caminha para viver o mesmo imbróglio político de Santa Catarina na disputa pelo Senado em 2026. Nos dois estados, o Partido Liberal (PL) enfrenta um racha interno: de um lado, lideranças tradicionais que detêm o comando partidário e contam com apoio institucional; de outro, nomes identificados com o bolsonarismo raiz, com forte apelo popular e respaldo direto da família Bolsonaro.

Em Santa Catarina, o ex-governador e Senador Esperidião Amin, apoiado por Valdemar Costa Neto, pelo próprio presidente Jair Bolsonaro (segundo o líder do PL) e pelo governador Jorginho Mello , tenta viabilizar sua candidatura dentro de uma costura partidária para fortalecer a base de reeleição do atual governador. Mas Amin enfrenta resistência da ala bolsonarista mais fiel, que aposta em duas figuras de forte apelo popular: Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente, e a deputada federal Caroline de Toni, líder nas pesquisas de intenção de voto.

De Toni já declarou publicamente que disputará o Senado, mesmo que precise mudar de legenda, citando até o Partido Novo como alternativa, caso o PL não abra espaço.

No Mato Grosso do Sul, o roteiro é semelhante. O ex-governador Reinaldo Azambuja, que recentemente assumiu a presidência estadual do PL, articula sua pré-candidatura ao Senado com o apoio de prefeitos, do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e do atual governador Eduardo Riedel (PP).

Entretanto, Azambuja enfrenta uma crescente resistência dentro do próprio campo conservador. Na tarde de terça-feira (12), Valdemar Costa Neto anunciou, pelas redes sociais, a filiação do ex-deputado estadual Capitão Contar ao PL e, simultaneamente, sua pré-candidatura ao Senado, um movimento que pegou Azambuja de surpresa.

O próprio ex-governador confirmou à imprensa local que não foi comunicado previamente sobre a decisão e que soube da filiação e da pré-candidatura de Contar pelas redes sociais.

Gianni Nogueira e Marcos Pollon podem embaralhar o jogo

Além de Contar, a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira, também pretende disputar uma vaga no Senado. Em entrevista ao programa Hora do Contribuinte, da Contribuinte TV, na semana passada, Gianni afirmou que buscará concorrer pelo PL, mas que não hesitará em mudar de partido caso não tenha espaço na legenda, seguindo o exemplo de Caroline De Toni em Santa Catarina.

“Sou pré-candidata ao Senado, seja qual for o cenário. Tenho o apoio do presidente Jair Bolsonaro”, disse Gianni.

Giane é esposa do deputado federal Rodolfo Nogueira, conhecido como o “Gordinho do Bolsonaro”, um dos parlamentares mais leais ao ex-presidente em Mato Grosso do Sul. Nos últimos meses, ela tem percorrido todo o estado como pré-candidata, participando de eventos e encontros com lideranças locais. Sua atuação tem chamado atenção especialmente pela forte identificação com a direita raiz, o que a fez conquistar apoio crescente da ala conservadora do eleitorado sul-mato-grossense.

Outro nome que surge nesse tabuleiro é o do deputado federal Marcos Pollon. Embora Pollon tenha afirmado que não deve buscar a reeleição, ele foi sugerido por Eduardo Bolsonaro como possível candidato ao Senado, na noite desta quarta-feira, 12.

Pollon é casado com Nayane Bittencourt, presidente estadual do PL Mulher, que tem o apoio de Michelle Bolsonaro em sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados. O deputado ainda não confirmou se deixará o PL para viabilizar uma candidatura majoritária, mas é tratado como potencial nome competitivo para o governo ou o Senado.

Azambuja em situação delicada 

O cenário que se desenha coloca Reinaldo Azambuja numa situação delicada. Assim como ocorre com Esperidião Amin em Santa Catarina, o ex-governador sul-mato-grossense enfrenta o desafio de liderar um partido dominado pelo bolsonarismo, mas sem ser plenamente identificado com ele.

A presença de duas (ou até três) candidaturas bolsonaristas raiz, Capitão Contar, Gianni Nogueira e possivelmente Marcos Pollon, fragmenta o eleitorado conservador e ameaça o plano de Azambuja de consolidar-se como o nome de consenso do PL ao Senado.

O quadro ainda se complica pelo alinhamento político entre Capitão Contar, Gianni Nogueira e Marcos Pollon com o eixo nacional bolsonarista.  O que reforça a percepção de que o ex-governador faz parte de uma costura mais institucional e menos ideológica, contrastando com o discurso “antissistema” dos bolsonaristas.

Se o padrão catarinense se repetir, Mato Grosso do Sul pode chegar a 2026 com três candidaturas competitivas do mesmo campo político.