Declaração teria sido feita no momento em que a ex informou que procuraria a polícia, conforme BO ao qual O Contribuinte teve acesso
A frase atribuída ao prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PL), ganhou repercussão não apenas pelo conteúdo, mas pelo momento em que teria sido dita. Conforme o boletim de ocorrência ao qual o Portal O Contribuinte teve acesso, a declaração “Pode ir, não vai dar em nada” teria ocorrido no instante em que a ex-namorada informou que iria procurar a delegacia.
A afirmação teria sido feita após o prefeito quebrar o celular da ex-companheira, um iPhone 17 Pro Max, destruindo o aparelho ao batê-lo contra pedras. O episódio resultou posteriormente no registro de boletim de ocorrência por violência doméstica e em um pedido de medida protetiva.
De acordo com o registro policial, Karen Arruda manteve um relacionamento de aproximadamente seis meses com Juliano Ferro e chegou a morar com ele por cerca de 60 dias. Após o término, ocorrido no início de janeiro, ela foi até a residência do prefeito e, posteriormente, até uma chácara de sua propriedade, às margens da MS-141, para retirar pertences pessoais.
Enquanto organizava as malas, conforme o relato, o prefeito teria pegado o celular da ex e destruído o aparelho. Diante da situação, a mulher informou que buscaria a polícia para registrar ocorrência. Foi nesse momento, ainda antes do registro formal, que, segundo o BO, o prefeito teria afirmado que a denúncia “não daria em nada”.
Após o episódio, Karen registrou o boletim de ocorrência e solicitou medida protetiva. Até o momento, não há confirmação oficial se a Justiça concedeu a proteção.
Outro lado da moeda
Em manifestação nas redes sociais, Juliano Ferro negou agressão física, afirmou que o boletim trata apenas de suposto dano ao patrimônio e disse não compreender o pedido de medida protetiva. O prefeito alegou possuir gravações, mensagens e testemunhas que comprovariam sua versão dos fatos e afirmou que irá prestar esclarecimentos à polícia.
Ainda assim, a declaração atribuída a ele no registro policial, feita antes do BO, passou a simbolizar a tentativa de descredibilizar uma denúncia no momento em que a vítima anunciava que buscaria o Estado.
Histórico de polêmicas
O caso não é isolado. Juliano Ferro, conhecido nacionalmente como o “prefeito mais louco do Brasil”, acumula uma série de episódios controversos durante o mandato, intensificados após a reeleição a partir de 2024.
Entre eles:
– A agressão a um cidadão em um posto de saúde, registrada em vídeo;
– A desautorização pública da vice-prefeita, impedida de se reunir com profissionais da saúde;
– E agora, o caso envolvendo destruição de pertences e denúncia por violência doméstica.
Mesmo diante da recorrência, a Câmara Municipal de Ivinhema não instaurou investigação nem se manifestou oficialmente sobre a conduta do prefeito.
Alinhamento político
Juliano Ferro integra a base política do ex-governador Reinaldo Azambuja e mantém alinhamento com o atual governador do Estado. Recentemente, filiou-se ao Partido Liberal (PL), inclusive participando do ato público de filiação de Azambuja à legenda.
O episódio levanta questionamentos sobre tratamento institucional de denúncias quando envolvem autoridades politicamente influentes.
Violência contra a mulher não é só física
A legislação brasileira reconhece que violência contra a mulher não se restringe à agressão física.
A destruição de pertences, intimidação verbal e tentativas de desestimular a denúncia também configuram atitudes agressivas.
Onde denunciar
– Disque 180 – Central de Atendimento à Mulher
– Casa da Mulher Brasileira – Atendimento psicológico, jurídico e social
– Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM)
– Emergência: 190
Denunciar é um direito.
Descredibilizar uma denúncia antes mesmo da apuração não pode ser naturalizado.
Toda mulher tem o direito de procurar a polícia, solicitar medida protetiva e buscar apoio — independentemente de quem seja o acusado.