Condenado a mais de 8 anos por tráfico de drogas, influenciador conhecido por criticar autoridades públicas tinha mandado de prisão definitivo e agora terá de cumprir a pena.
Nos últimos dias, parte da militância de esquerda nas redes sociais tentou transformar a prisão do ativista e influenciador digital Alisson Benitez Grance, conhecido como “DuMato”, em mais um episódio de suposta perseguição política. A narrativa, porém, não resiste aos fatos.
DuMato foi preso porque deve à Justiça.
Não se trata de perseguição, censura ou retaliação por críticas à classe política. Trata-se do cumprimento de uma decisão judicial definitiva. Conforme mandado expedido pela 5ª Vara Criminal de Campo Grande, Alisson foi condenado por tráfico de drogas a 8 anos e 2 meses de reclusão, em regime inicial fechado, em processo com trânsito em julgado, ou seja, quando não há mais possibilidade de recursos.
Nesse cenário, a lei é clara: a pena precisa ser cumprida.
A condenação decorre de investigação que apontou participação em um esquema de envio de drogas pelos Correios. Entre janeiro de 2022, encomendas postadas em agências de Campo Grande foram interceptadas após inspeção com cão farejador. Nos pacotes havia maconha escondida em caixas enviadas para diversos estados, incluindo Minas Gerais, Bahia, Amapá, São Paulo e Goiás.
Ao todo, nove pacotes somavam cerca de 8,87 quilos da droga. A perícia da Polícia Federal encontrou impressões digitais de Alisson nos invólucros da maconha e nas declarações de conteúdo das encomendas, o que o vinculou diretamente ao esquema investigado.
Portanto, não há mistério: existe condenação, existe decisão definitiva e existe mandado de prisão.
Diferença entre perseguição e cumprimento da lei
É importante fazer uma distinção clara.
Recentemente, este mesmo profissional que escreve este artigo saiu em defesa da influenciadora conhecida como “Coach Irônica”, justamente por entender que havia, naquele episódio, sinais de excesso e de perseguição contra uma comunicadora que expressava opiniões.
Inclusive, publiquei vídeos nas minhas redes sociais pessoais defendendo a liberdade de expressão e o direito à crítica.
No caso de DuMato, entretanto, a situação é completamente diferente.
Não se trata de opinião, de discurso ou de crítica à prefeita Adriane Lopes, alvo frequente dos vídeos do ativista. Trata-se de uma condenação criminal por tráfico de drogas, com sentença definitiva.
Misturar essas duas coisas é desinformar a população.
O direito de mudar — depois de pagar pelo erro
Todo ser humano tem o direito de mudar de vida.
Todo ser humano tem o direito de se ressocializar, reconstruir a própria história e deixar para trás erros do passado. Isso é parte fundamental de qualquer sistema de Justiça que acredita na recuperação das pessoas.
Mas há uma condição básica para isso: pagar pelos crimes cometidos.
Até então, pelas redes sociais, DuMato vinha demonstrando uma mudança de postura, inclusive sinalizando interesse em entrar para a política. Esse é um caminho legítimo para qualquer cidadão.
Mas antes disso, existe uma etapa inevitável: cumprir a pena determinada pela Justiça.
Moralismo seletivo na política
Outro ponto que chama atenção é o moralismo seletivo de alguns setores da política.
O ativista foi defendido publicamente por parlamentares do Partido dos Trabalhadores, como a deputada federal Camila Jara e a vereadora Luiza Ribeiro, mesmo diante de uma condenação definitiva.
Curiosamente, os mesmos grupos políticos costumam ser implacáveis quando se trata de pessoas condenadas de outros campos ideológicos.
Na política sul-mato-grossense e na brasileira de forma geral, não faltam exemplos de falsos moralistas: pessoas que apontam o dedo para todos, mas que também acumulam problemas com a Justiça.
Há quem tenha histórico de agressão contra mulheres, quem responda por corrupção, quem tenha envolvimento com tráfico, lavagem de dinheiro ou outros crimes.
Ainda assim, muitos se apresentam como paladinos da moralidade pública.
A conta sempre chega
A verdade é simples: quem deve à Justiça, cedo ou tarde, precisa pagar.
No caso de DuMato, não há perseguição política. Não há censura. Não há retaliação por críticas à prefeitura ou a qualquer autoridade.
Existe apenas uma decisão judicial que precisa ser cumprida.
Depois disso, como qualquer cidadão que cumpre sua pena, ele terá o direito de retomar a vida, reconstruir sua trajetória e seguir em frente.
Mas antes disso, a lei precisa valer para todos.
Sem exceção.