Saulo Batista disputava uma vaga para deputado federal quando foi esfaqueado pela então ex-companheira; o caso revelou acusações mútuas, registros policiais, alegações de relacionamento abusivo e ganhou repercussão nacional.
A escolha do empresário Saulo Batista para ocupar a primeira suplência da chapa do senador Nelsinho Trad (PSD), definida pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, faz ressurgir um dos episódios de maior repercussão envolvendo um candidato nas eleições de 2022 em Mato Grosso do Sul.
Naquele ano, Saulo disputava uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo Republicanos quando sua campanha foi interrompida por um caso policial que rapidamente ultrapassou as fronteiras do Estado. O empresário foi esfaqueado dentro de um apartamento em Campo Grande pela então ex-companheira Daisa Garcia, influenciadora digital conhecida nas redes sociais como “Luxuosinha”. Ambos confirmaram que mantinham um relacionamento extraconjugal de aproximadamente três anos.
O episódio, entretanto, não se limitou à facada.
Após o ocorrido, Daisa passou a conceder entrevistas à imprensa e a publicar relatos em suas redes sociais afirmando que vivia um relacionamento abusivo. Em boletins de ocorrência registrados anteriormente e em entrevistas concedidas a veículos como g1, TV Morena e UOL, e o próprio O Contribuinte, ela declarou que sofria agressões físicas, psicológicas e patrimoniais durante o relacionamento.

Segundo seus relatos, Saulo não aceitava o fim da relação, exercia controle sobre sua rotina, restringia sua convivência social, a humilhava verbalmente e a ameaçava divulgar vídeos e fotografias íntimas caso ela encerrasse definitivamente o relacionamento.
Daisa também afirmou que, após uma tentativa de separação em 2020, registrou boletim de ocorrência por ameaça e solicitou medida protetiva. Conforme documentos divulgados à época pela imprensa, ela alegou que o empresário teria criado uma página em rede social para expor sua intimidade e a de seu ex-marido, além de tentar contratar um outdoor com mensagens ofensivas, iniciativa que, segundo ela, não foi concretizada.
Em outras entrevistas, a influenciadora afirmou que chegou a desenvolver depressão em razão da relação, relatou episódios de agressões anteriores, disse que precisava pedir autorização até para sair de casa e declarou que dependia financeiramente do empresário.
No dia da ocorrência, Daisa sustentou que retornou ao apartamento apenas para retirar seus pertences e que foi novamente agredida. Segundo sua versão, ela foi empurrada contra a parede, teve os cabelos puxados, foi enforcada e utilizou uma faca para se defender, sem perceber inicialmente que havia atingido Saulo.
Ela procurou espontaneamente a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), realizou exame de corpo de delito e voltou a pedir medidas protetivas.
A versão de Saulo Batista
Saulo Batista apresentou uma versão diferente dos acontecimentos.
Em entrevistas concedidas após deixar a Santa Casa, onde recebeu atendimento médico pelos ferimentos, confirmou que mantinha um relacionamento extraconjugal com Daisa, mas afirmou que a relação havia terminado cerca de 48 horas antes do episódio.

Segundo o empresário, Daisa retornou ao apartamento, encontrou outra mulher no local e teve um ataque de fúria motivado por ciúmes. Ele afirmou que tentou impedir que ela agredisse a outra mulher e acabou sendo atingido pelas facadas.
Saulo também declarou possuir cicatrizes de episódios anteriores envolvendo Daisa e afirmou que ela tinha histórico de agressividade. Em relação às acusações feitas pela ex-companheira, negou ter praticado as agressões relatadas, afirmou desconhecer eventual medida protetiva e sustentou que agiu em legítima defesa.
A Polícia Civil registrou inicialmente o caso como lesão corporal no contexto de violência doméstica. Conforme explicou o delegado responsável na ocasião, a tipificação levou em consideração os elementos colhidos durante a investigação naquele momento, incluindo depoimentos de testemunhas.
Volta ao cenário político
Passados quatro anos, Saulo Batista retorna ao centro da política sul-mato-grossense, agora não como candidato à Câmara dos Deputados, mas como primeiro suplente da chapa de Nelsinho Trad ao Senado.
A indicação foi definida por Gilberto Kassab durante reunião realizada em São Paulo e integra a estratégia do PSD para fortalecer a candidatura à reeleição de Nelsinho.
Além da atuação empresarial, Saulo mantém interlocução com lideranças nacionais como o vice-presidente Geraldo Alckmin e o governador paulista Tarcísio de Freitas e declara apoio à reeleição do governador Eduardo Riedel em Mato Grosso do Sul.
Sua escolha, entretanto, inevitavelmente traz de volta ao debate um episódio que marcou a campanha eleitoral de 2022 e que, à época, ganhou repercussão nacional pela combinação entre um caso policial, um relacionamento extraconjugal assumido pelos envolvidos e as acusações e versões conflitantes apresentadas publicamente por ambos.