Decisão muda completamente o cenário eleitoral de Mato Grosso do Sul; senador deve participar da convenção do PL neste sábado ao lado do ex-governador
O senador Nelsinho Trad (PSD) decidiu não disputar a reeleição ao Senado e deve ser anunciado como primeiro suplente do ex-governador Reinaldo Azambuja, pré-candidato ao cargo pelo PL.
A informação foi confirmada pelo O Contribuinte com fontes próximas ao senador, integrantes de sua articulação política e interlocutores ligados a Reinaldo Azambuja.
De acordo com a apuração, Nelsinho já comunicou integrantes de sua equipe que não seguirá como candidato à reeleição. O parlamentar agora deverá integrar a chapa encabeçada por Reinaldo, ocupando a primeira suplência.
A mudança provoca uma das maiores reviravoltas da eleição de 2026 em Mato Grosso do Sul.
Nelsinho era apontado como um dos principais nomes na disputa pelas duas vagas ao Senado. Nas pesquisas divulgadas até aqui, o senador aparecia no grupo dos favoritos, disputando diretamente com Reinaldo Azambuja, Capitão Contar e Vander Loubet.
Com quatro nomes eleitoralmente competitivos, a eleição caminhava para se tornar uma das disputas mais acirradas da história recente do Estado, em um cenário comparável ao registrado em 2018, quando diferentes candidaturas chegaram à reta final com chances concretas de vitória.
A retirada de Nelsinho, portanto, não representa apenas uma mudança individual de projeto. Ela altera a correlação de forças, interfere diretamente nos cálculos dos partidos e fortalece a candidatura de Reinaldo Azambuja, que passa a reunir em sua chapa um senador em exercício, ex-prefeito de Campo Grande por dois mandatos e integrante de uma das famílias mais tradicionais da política sul-mato-grossense.
Convenção do PL
Conforme apurou o O Contribuinte, Nelsinho deve estar entre os políticos presentes no palanque de Reinaldo Azambuja durante a convenção do PL, marcada para este sábado.
A expectativa é que o evento consolide publicamente a aproximação entre os dois grupos e apresente a nova configuração da chapa ao Senado.
Até então, Nelsinho vinha mantendo sua pré-candidatura e aparecia como concorrente direto de Reinaldo. A formação de uma chapa conjunta transforma dois adversários potenciais em aliados e amplia a estrutura política do ex-governador.
Reinaldo reúne o comando do PL no Estado, a experiência de dois mandatos como governador e uma ampla rede de prefeitos, vereadores e lideranças municipais. Nelsinho, por sua vez, acrescenta à composição o peso político de um mandato no Senado, sua base eleitoral em Campo Grande e a capilaridade do grupo Trad.
Equipe foi comunicada
Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que integrantes da equipe de Nelsinho foram informados, nesta sexta-feira, de que ele não disputará mais a reeleição.
A possibilidade de desistência já circulava nos bastidores ao longo da tarde, mas o acordo avançou e passou a ser tratado como definido por interlocutores diretamente envolvidos na articulação.
A confirmação pública, no entanto, deverá ocorrer dentro da estratégia política dos partidos e dos próprios candidatos.
Procurado ou não se manifestando oficialmente até a publicação desta reportagem, Nelsinho ainda não havia divulgado comunicado público detalhando os motivos da decisão.
Disputa muda de configuração
Sem Nelsinho como candidato titular, a corrida pelas duas vagas ao Senado passa por uma reorganização imediata.
Reinaldo Azambuja ganha força com a composição. Capitão Contar permanece como um dos nomes mais competitivos do campo da direita, enquanto Vander Loubet busca consolidar sua candidatura dentro do palanque ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Outras candidaturas também poderão tentar ocupar o espaço eleitoral deixado por Nelsinho, especialmente entre os eleitores de centro, do PSD e da capital.
Mais do que uma retirada, o movimento representa uma aliança entre dois grupos que, até poucos dias atrás, se preparavam para disputar diretamente o mesmo eleitorado.
Caso a composição seja oficializada, Nelsinho deixará a condição de candidato à reeleição para se tornar peça central da chapa de Reinaldo Azambuja — uma decisão que pode influenciar não apenas a eleição ao Senado, mas também as articulações para o governo estadual, a Câmara Federal, a Assembleia Legislativa e a sucessão municipal de Campo Grande em 2028.