Durante reunião com líderes partidários no Senado, o presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), declarou de forma categórica que não irá pautar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo que todas as 81 assinaturas do plenário da Casa sejam reunidas.
A declaração, reproduzida por parlamentares que participaram do encontro, gerou forte reação entre senadores da oposição, que veem no gesto uma blindagem explícita aos magistrados da Corte, especialmente em meio às crescentes tensões entre o Legislativo e o Judiciário.
A fala de Alcolumbre reforça a percepção de que há uma barreira institucional imposta por setores do Senado à análise de denúncias contra membros do STF. Apesar da Constituição prever a possibilidade de o Senado processar ministros por crimes de responsabilidade, cabe exclusivamente ao presidente da Casa — ou, em alguns casos, ao presidente da CCJ — dar andamento aos pedidos.
Nos bastidores, senadores afirmam que o clima de insatisfação com decisões do Supremo tem se intensificado, sobretudo após ações do ministro Alexandre de Moraes envolvendo parlamentares, ativistas e jornalistas ligados à direita. No entanto, Alcolumbre vem resistindo a qualquer pressão para admitir a análise de um possível processo.
“Mesmo com 81 assinaturas, não coloco isso para tramitar”, teria dito o senador.
A declaração é interpretada por aliados do governo como um sinal de estabilidade institucional, ao evitar o confronto direto entre os Poderes. Já entre bolsonaristas e opositores ao STF, o gesto de Alcolumbre é visto como uma “omissão gravíssima” e um “desrespeito à independência do Parlamento”.
O episódio reaquece o debate sobre a necessidade de revisão dos mecanismos institucionais que hoje tornam quase inviável o processamento de membros do STF, ainda que haja apoio majoritário dos senadores.