Jair Bolsonaro (PL) voltou neste domingo (29) à Avenida Paulista para uma nova manifestação com seus apoiadores. Em clima menos efusivo do que atos anteriores, o ex-presidente discursou por pouco mais de 20 minutos em cima de um carro de som, reiterou críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), à Polícia Federal e disse ser alvo de perseguição política. O evento também serviu para sinalizar uma mudança de foco: sem insistir na reeleição presidencial, Bolsonaro destacou a importância das eleições legislativas de 2026 e pediu empenho de sua base para eleger deputados e senadores.
Discurso combativo e foco no Legislativo
Bolsonaro reafirmou que sua prioridade agora é o fortalecimento de sua base no Congresso. A fala reforça um novo entendimento de que, mesmo inelegível, o ex-presidente deseja continuar como figura central no tabuleiro político. Segundo aliados, a ideia é consolidar um bloco forte no Legislativo que possa “blindar” a direita e evitar derrotas políticas e judiciais.
“Talvez eu nem precise ser presidente novamente”, disse Bolsonaro, num tom que soou como desistência estratégica, mas também como reforço do seu papel como líder de um movimento político. Em outra parte do discurso, afirmou: “O objetivo final não é me prender, é me eliminar”, referindo-se aos inquéritos que enfrenta no Supremo.
Adaptação de Trump e slogan relançado
Em tentativa de renovar seu discurso, Bolsonaro adaptou o famoso slogan de Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, e bradou: “Make Brasil Great Again” (Faça o Brasil Grande de Novo). A estratégia busca reviver a conexão simbólica entre os dois líderes e reforçar uma identidade conservadora e nacionalista para as próximas disputas eleitorais.
Pragmatismo político e Flávio como articulador
Segundo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), caso o pai não consiga reverter sua inelegibilidade, a escolha de um nome para 2026 será feita “sem vaidade”, com foco em viabilidade política. Flávio também tem se posicionado como um dos principais articuladores do novo momento do bolsonarismo, defendendo a união da direita em torno de candidaturas estratégicas para o Congresso.
Fontes próximas ao clã Bolsonaro revelaram à imprensa que o principal objetivo agora é construir uma bancada expressiva em 2026, que seja capaz de influenciar decisões legislativas e proteger aliados de investigações e processos.
Ausências sentidas
Não apareceram no evento os governadores do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), e de Goiás, Ronaldo Caiado (União). Ambos foram subiram no palanque de Bolsonaro há dois meses e desejam concorrer à Presidência da República em 2026 como o nome da direita e com o apoio de Bolsonaro. A mulher do ex-presidente, Michelle Bolsonaro (PL), avaliada nas pesquisas como possível presidenciável, também marcou falta.
Além deles, os senadores e ex-ministros de Bolsonaro Ciro Nogueira (PP-PI) e Rogério Marinho (PL-RN) também não estiveram no ato político.
Por fim, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que é um dos nomes mais jovens e que mais se destaca entre os bolsonaristas por sua atuação intensa nas redes sociais, também não esteve presente.